Lula e a blindagem arquetípica: Como a retórica supera o
contrato eleitoral
Dirceu Tavares de Lima Filho, Mannuela Ramos da Costa
Universidade Federal de Pernambuco, Faculdade Maurício de Nassau e
Faculdade Pernambucana
E-mail: dirceu@nlink.com.br, mannucosta@yahoo.com
"Neste país está para nascer alguém que venha querer discutir ética comigo. Eu sou filho de pai e mãe analfabetos, minha mãe não era capaz de fazer o "O'' com um copo. E o único legado que eles deixaram, era andar de cabeça erguida (...) Eu conquistei o direito de andar de cabeça erguida com muito sacrifício. E não vai ser a elite brasileira que vai fazer eu baixar a minha cabeça.''
Luiz Inácio Lula da Silva
As declarações públicas de improviso do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, com o sabor de verdade coloquial do homem cordial
brasileiro, por destoar da imagem de racionalidade governamental, gerou nos
assessores de comunicação a tentativa de evitar que o Presidente
discursasse de improviso. Lula demonstrava desconforto em proferir os
discursos dos assessores, que não "saíam do seu coração e
não falavam ao coração do cidadão''.
Lula, após o escândalo ético do mensalão e das
denúncias de receptação de dinheiro através do filho
Fábio Luis e do amigo Okamoto, tornou-se mais decidido no direcionamento
da sua estratégia discursiva. "Afastou oficialmente '' a assessoria do principal profissional de
comunicação Duda Mendonça. Conseguiu, em parte graças as
suas declarações, reverter a opinião pública negativa e
liderar a reeleição presidencial.
Neste estudo de caso, analisamos um problema científico para a
Comunicação Social, o de analisar comparativamente a lógica intuitiva, senso comum, das declarações públicas de Lula e a lógica racional empregada por um profissional como Duda Mendonça, como modelos eficazes
para a construção de identidade de marca.
Na contemporaneidade ainda é vigente que as campanhas publicitárias
são planejadas a partir de um único conceito racional. Mas, na
chamada pós-modernidade, existem muitos exemplos de campanhas
publicitárias eficazes que selecionam uma sensação estética para ordenar diferentes
temáticas para diferentes estilos de vida. O espectador pode assistir a
distintos anúncios da Casas Bahia, a depender se o fazem em um canal
convencional ou no canal dos jovens da MTV, por exemplo.
Na seção seguinte, para analisar porque Lula rege as suas
declarações públicas por uma lógica distinta da
racionalidade conceitual moderna, o enfocamos pelo conceito de Weber (1999)
de personagem carismático. Na seção posterior, passamos a analisar como o
carisma pode ser traduzido em imagens publicitárias, apresentamos os
conceitos de arquétipos de Mark e Pearson (2001). Finalmente comparamos
a estratégia da comunicação de Duda Mendonça, com a
seqüência de declarações públicas de Lula, para poder
perceber as tramas de construção discursiva a partir de uma
lógica alternativa à racionalidade conceitual na formação de
uma imagem pública no Brasil.
O planejamento de uma campanha política inicia pelo diagnóstico do
tipo de contrato eleitoral que será proposto à opinião
pública. Os eleitores observando a imagem de um político
avaliarão a coerência entre suas ações públicas e as
promessas do contrato eleitoral para superar as demandas de uma comunidade.
Na obra de Weber, Economia e Sociedade (1999), são analisados três
tipos de personalidade de gestores e a relação com suas
correspondentes estratégias gerenciais, o que permite diagnosticar o
tipo de contrato político que por sua vez determinará a
estratégia de comunicação a ser seguida para promover a imagem
de um candidato político.
Weber (1999) classifica três modelos de "dominação social'',
regidos por três personagens que são o "patrimonalista'', o
"carismático'' e o "legal - burocrático''. O personagem
"patrimonalista'' se comporta como um grande pai e como se os subordinados
fossem a família, emana uma autoridade rígida, baseada na
tradição e que não pode ser contestada. Ele simpatiza com uma
comunicação que expresse ordens que não são passíveis
de crítica racional e na qual ele é o personagem a ser glorificado.
O contrato político "patrimonalista'' corresponde a um personagem com
"signos de autoridade pessoal'', que emprega a violência para reger o caos social e
que socializa bens culturais baseados na tradição, como as festas
carnavalescas que são a catarse para a ordem autoritária. O
personagem "carismático'' emana uma áurea "mítica'',
"heróica'', assume missões redentoras para enfrentar estados de
crise, além de não se concentrar nos fins de êxito material, e
sim nos meios "espirituais'', expressando atitudes que a motivem a
comunidade a enfrentar as necessidades. O contrato político
"carismático'' corresponde a um político com "signos de uma
áurea mística'', que por performances públicas expressam provas
da sua espiritualidade, para motivar outros agentes a reger a justiça
social.
O personagem "legal-burocrático'' tende a ser orientado, segundo Weber
(1999, p.198), por "princípios das competências oficiais fixas,
ordenadas, de forma geral, mediante regras, leis e regulamentos
administrativos''. Este personagem e seu modelo organizacional tende a ser
hegemônico nas instituições modernas e é uma imagem aspirada
pela média do cidadão brasileiro como "coisa de primeiro mundo''. O
contrato político "legal-burocratico'' corresponde à
obediência a uma abstração legal, o plano de governo, que rege por testes de
eficiência a todos, inclusive ao próprio político.
Parece-nos que Lula diagnostica que suas declarações pessoais devem
basear-se nos valores da "intuição'', senso comum, e não pelos
valores da racionalidade conceitual que ele parece admirar em Duda
Mendonça. Isto se deve, provavelmente, ao fato de que ele constata que
seu contrato político corresponde à classificação já
citada de Weber do personagem "carismático'', ao invés do contrato
"legal-burocrático'', mesmo sendo o presidente da 12
potência mundial.
Para constatarmos como Lula pode ter razão em não reger suas
declarações pessoais, por uma racionalidade conceitual, vejamos como
Weber (1999, p.323) define o líder carismático, enfatizando que
estes tendem a destacar-se em momentos de crise coletiva, quando as
angústias sobre o futuro tendem a transcender o pensamento racional e
é necessário um líder que gere confiança nas ações
públicas:
[Os carismáticos eram] líderes `naturais', em situações de
dificuldades psíquicas, físicas, econômicas, éticas,
religiosas e políticas, não eram pessoas que ocupavam um cargo
público, nem exerciam determinada `profissão' especializada e
remunerada, no sentido atual da palavra, mas portadores de dons físicos
e espirituais específicos, considerados sobrenaturais (no sentido de
não serem acessíveis a todo mundo).
Em seguida Weber (1999, p. 324) enfatiza o caráter essencialmente
imaginário e pouco racional da ação social da personalidade
carismática:
[...] [A personalidade carismática gera] crença nos seus seguidores:
em virtude desse dom [carisma] e - quando já estava claramente
concebida a idéia da existência de um deus - em virtude da
missão divina que neste se expressava, eles exerciam sua arte e sua
dominação.
Weber (1999, p. 324) diferencia os dois modos, carismático e
burocrático, de administrar e como o carismático se encaixa bem na
lógica do homem cordial brasileiro, que aparenta ser o nosso padrão
ideal de "felicidade subdesenvolvida'':
Em oposição a toda espécie de organização administrativa
burocrática, a estrutura carismática não conhece nenhuma forma e
nenhum procedimento ordenado de nomeação ou demissão nem de
"carreira'' ou "promoção''; não conhece nenhum
"salário'', nenhuma instrução especializada regulamentada do
portador do carisma ou de seus ajudantes e nenhuma instância
controladora ou à qual se possa apelar [...]. (grifo do autor)
Weber defendia que não é possível transformar um personagem
qualquer em carismático, mas que é possível perder a imagem de
carismático. Na seguinte citação (WEBER, 1999, p.324),
observamos a descrição de como se mantém o contrato entre o
carismático e seus seguidores e a forma como este pode ser desfeito, um
temor que certamente Lula leva em conta quando ordena o teor das suas
declarações públicas:
O portador do carisma assume as tarefas que considera adequadas e exige
obediência e adesão em virtude de sua missão. Se as encontra, ou
não, depende do êxito. Se aqueles aos quais ele se sente enviado
não reconhecem sua missão, sua exigência fracassa. Se o
reconhecem, é o senhor deles enquanto sabe manter seu reconhecimento
mediante "provas''. (grifo do autor)
Lula, diagnosticado como personagem carismático, deve ordenar uma
comunicação só indiretamente relacionada ao êxito racional,
buscando essencialmente comunicar a sua "áurea'' subjetiva de detentor
de uma sagrada missão de justiça social, cujo êxito não
é tanto o de aumentar o PIB brasileiro, por exemplo, e sim de motivar as atitudes e valores de igualdade social, numa cultura identificada com a "caridade
cristã'', tal qual nos parece a brasileira. Evidentemente que a imagem
do mito arquetípico de um personagem depende da efetivação de
êxitos materiais correspondentes à função do arquétipo,
mas essa é uma cobrança de segunda instância, estando as
cobranças de ordem imaginária em primeiro plano.
Weber (apud, Souza, 2000) considera que a simbolização na sociedade
contemporânea transita da esfera da "cultura para a da pessoa'', para
explicar a dominância dos valores da subjetividade sobre a dinâmica
social. Weber considera que a subjetividade contemporânea se difere da
tradicional pelo seu caráter cada vez mais abstrato. Acreditamos que o
conceito de arquétipo pode ser uma ponte entre uma concepção de
subjetividade abstrata e a ordenação das necessidades e
correspondentes ações culturais. Para Mark e Pearson (2001),
arquétipo corresponde a "formas elementares'', que estão em toda a
Terra, presentes tanto nas evoluções históricas como nas
evoluções individuais, pois seriam fruto do "inconsciente
coletivo''. Segundo Marie-Louise Von Franz (apud Mark e Pearson, 2001), Jung,
estudou os arquétipos para entender o comportamento humano, como
cumprimentar, acasalar, cuidar dos filhos, para entender qual o significado
particular com que nos sentimos e fantasiamos durante o desenvolvimento
destas ações.
Para Mark e Pearson (2001, p.28), a ordem motivacional se funda em quatro
principais impulsos, que consideram como quatro necessidades humanas
básicas: Pertença/Grupo versus Independência/Auto-realização;
e Estabilidade/Controle versus Risco/Mestria. Todos nós apreciamos pertencer a
um grupo, ao mesmo tempo em que queremos ser individualizados e seguir o
nosso próprio caminho. Eles impelem o indivíduo por conflitos de
pólos opostos, já que o desejo de agradar os outros nos faz agir
para atrair a admiração e cumplicidade dos demais, mas ao mesmo
tempo o desejo de individualidade nos impele a passar algum tempo sozinhos,
realizando coisas que talvez os outros não entendam ou aceitem.
A sensação de felicidade adviria do equilíbrio sempre parcial
dos quatros estados de Pertença/Grupo versus Independência/Auto - realização e Estabilidade/Controle versus Risco/Mestria.
Quando um indivíduo percebe que um destes quadrantes está carente,
busca imagens de um do(s) seu(s) arquétipo(s), para que sinta uma
vibração que o torne receptivo a impulsos e comportamentos a fim de
suprir estas necessidades. Mark e Pearson (2001, p.24) explicam que o
eleitor, no processo de escolha de um político, observará que a
maioria promete solucionar necessidades semelhantes e a
identificação do diferencial será regida pelo caráter
arquetípico de um dos políticos, que este mesmo eleitor identifica
como o "ator'' apto a reger a "partitura'' para realizar a missão
coletiva. O Governante Churchil foi o "arquétipo'' escolhido para
administrar a Inglaterra durante a II Grande Guerra, mas foi rejeitado para
administrar o diferencial competitivo na reconstrução da Europa.
Na primeira categoria, Pertença/Prazer, encontramos os arquétipos do
Cara Comum, do Bobo da Corte e do Amante, que se relacionam com questões
de integração social. Sua missão na vida é a busca de relações afetivas estáveis para a socialização.
Dentro da segunda categoria, Independência/Satisfação,
econtramos os arquétipos do Inocente, Explorador e Sábio. Eles
enfatizam o self e "a autonomia acima da pertença.'' Estão ligados a
imagem de paraíso, anseiam em encontrar o lugar perfeito, onde se
sintam plenos, felizes e potencializados. A principal característica
é a busca da realização das açoes como forma de concretizar
o ideal de liberdade e o otimismo diante das dificuldades.
Em seguida, na terceira categoria de Estabilidade/Controle, encontramos os
arquétipos do Prestativo, Governante e Criador que dão estrutura ao
mundo. Sua missão na vida são as das questões de controle, estabilidade e
segurança. São importantes para nos ensinar a preservar a ordem e a
conciliar os desejos de coerência durante as mudanças.
Na última categoria, Mestria/Risco, existe a responsabilidade de
enquadrar os arquétipos do Herói, Fora-da-lei e Mago, em que se
busca "deixar sua marca no mundo''. No dia-a-dia são os arquétipos
que ativam nossas capacidades de enfrentar os problemas e desafios, correr
riscos, quebrar as regras para poder transformar a vida.
Acreditamos que pela classificação de arquétipos de Mark e
Pearson (2001), Lula corresponda ao Herói, defesa que explicitaremos
melhor na seção sobre Lula. O Herói é o arquétipo
fundamental, porque ao reconhecer uma injustiça, tem a potencialidade de
coordenar diversos outros arquétipos para resolver aquela
situação. Imaginem um barco grego com um Herói coordenando
diversos outros personagens arquetípicos a enfrentar uma
classificação de desafios que cada um está catalogado como o
mais apto para resolver (sedução, combates, bruxarias...). O
Herói se fortalece com os desafios e se sente ultrajado pelas
injustiças, respondendo rápida e decisivamente às crises e
às oportunidades. O Herói é um protetor instintivo das pessoas a
quem vê como inocentes frágeis ou legitimamente incapazes de ajudar
a si mesmas. Ele age para que todas as pessoas progridam na
realização dos seus desejos.
A seguir, apresentamos como Duda Mendonça concebe uma lógica
racional para uma identidade de marca de um político, que contrasta com
a lógica não racional-conceitual pela qual Lula se representa como
Herói carismático.
Duda Mendonça, no seu livro Casos & Coisas, num capítulo
intitulado de "não faço mágica'', defende que a base do
planejamento de campanhas publicitárias é semelhante à
função do diagnóstico no tratamento médico. Um paradigma científico.
Apresentamos abaixo citações de Duda Mendonça que exemplificam a
lógica racional com a qual ele ordena campanhas publicitárias dando
coerência a inúmeras peças, que cumprem funções
diferenciadas para diversos tipos de públicos. O esforço abstrato em
definir um conceito central único numa campanha publicitária oferece
uma coerência entre as peças para induzir que o candidato está
associado a valores gerenciais modernos.
Duda Mendonça (2001, p. 39), após defender que inicia seu
planejamento de campanha para um político a partir do diagnóstico
da sua imagem pública, define que se deve dividir o público alvo em
três tipos, dando a cada um destes públicos tratamentos
comunicativos diferenciados:
Quando se entra para ganhar, a primeira preocupação é não
perder votos. Digamos que, no início de uma campanha - uma campanha
à Presidência da República -, o meu candidato apareça com
os seguintes números: 24% votam nele, 40% estão indecisos,
isto é, podem vir a votar; e 36% declaram que não votam nele de
modo algum. Minha atenção, portanto, vai se voltar primeiramente
para os 24% que votam no meu candidato.
Apresentada a sua classificação dos públicos, Duda Mendonça
(2001, p.39), lista uma série de informações simbólicas que
necessita pesquisar sobre estes públicos:
Em seguida, faço a mesma coisa com relação àqueles 40%
ainda indecisos, que são, na verdade os eleitores conquistáveis.
Quero saber se eles já votaram alguma vez no partido político do
meu candidato, ou mesmo nele, em alguma eleição passada. Quero saber
onde ele está, onde mora, quanto ganha. Quero saber de suas dúvidas.
De suas culpas. De seus medos. De suas esperanças. E, sobretudo o que
ele pensa do meu candidato. Quais são os pontos que o levam a ser
atraído por um determinado candidato e quais os pontos vulneráveis,
os que produzem receio e afastamento.
Após destacar que informação necessita pesquisar sobre os
desejos do eleitor, Duda Mendonça (2001, p. 79) pergunta: "Como é
que começa a criar uma campanha?'' E em seguida explica: "Primeiro
[crie] um slogan ou uma marca que não podem ser apenas um trocadilho ou
uma forma visualmente bonita. Têm que estar em perfeita harmonia com a
sua estratégia. Com o seu marketing''.
A concepção de estratégia de marketing que orienta o
planejamento do discurso político de Duda Mendonça (2001, p. 79-80),
não está definida conceitualmente, mas o autor apresenta exemplos de
como a articula. A estratégia de marketing político parte da
redação de um briefing que sintetiza a descrição do político,
explicitando dois tipos de imagem: "as a neutralizar e aquelas a
destacar''. Este briefing é fruto da análise binária dos dados do
candidato, listados numa folha dividida ao meio, tendo de um lado seus
pontos positivos e do outro os negativos na ótica do eleitor.
A partir do briefing do candidato, Duda Mendonça (2001, p. 82) explicita como
deve redigir o slogan da campanha. Segundo o autor, o slogan é a
razão comunicativa, que ao lado do nome do candidato, com sua cor
padrão e a logomarca, deve orientar a coerência entre todos os
signos da campanha. O slogan deve sintetizar o posicionamento da campanha,
definindo o diferencial do candidato para realizar qual promessa eleitoral.
Em seguida deverá ser definido outro componente fundamental do tripé
imagístico da campanha - o jingle. O slogan sendo o cérebro da campanha,
o jingle será o ritmo do seu coração. Segundo Duda Mendonça (2001,
p. 88) o processo de criação do slogan orienta a composição
do jingle. Durante a escritura do slogan, várias frases que foram descartadas
ficaram anotadas e são aproveitadas para o jingle, de modo que o autor o
denomina de "caldo de slogans'' sendo, segundo ele, uma
transformação do "conceito em rimas''.
Segundo Duda Mendonça (2001, p. 88) após a criação do slogan
e do jingle, deve-se pensar na ultima peça do tripé imagístico: a
televisão. Duda explicita que ordena a produção televisiva
distribuindo as imagens do candidato proferindo discursos coerentes com o
slogan, interagindo com a melodia e letra do jingle num conjunto harmonioso.
Duda Mendonça (2001, p. 89) afirma que a estruturação da campanha
publicitária, deve ter "unidade, porque tudo tem que ter o mesmo
conceito''. O adesivo, cartaz, bandeira, outdoor e jingle devem ser
percebidos como "falando a mesma linguagem'', pois segundo o autor: "todas
as peças dialogam entre si, pertencem a um mesmo conjunto''.
Duda diagnosticou que nas três derrotas anteriores para a
eleição presidencial, Lula se apresentava pelo arquétipo do
Fora-da-lei, vingador das injustiças sociais, muito mal visto pelos
eleitores indecisos e o reposicionou como Herói. Eliminou as
injúrias contra a elite por um slogan de conciliação social do:
"Lulinha paz e amor'' e criou um horizonte imaginário com o programa
que, na realidade, não decolou, o "Fome Zero''. Aboliu as imagens da
"mão defeituosa'' bradando vingança e tomou como centro
imagético a barroquinha do sorriso de Lula. Duda como Pigmaleão,
transforma o sindicalista vingador num Papai Noel com alma de Hobin Hood,
que promete redistribuir pacificamente a riqueza nacional.
Descrito como Duda Mendonça exemplifica uma lógica racional para o
planejamento de uma campanha política, partindo de um slogan conceitual
ordenando o conjunto de imagens, a contrastaremos a seguir com uma série
de declarações do presidente Lula, para observar como outra
lógica de comunicação de uma imagem pública pode ser
ordenada "intuitivamente '' por valores do senso comum
do homem cordial brasileiro.
Lula, ao discursar ao "coração'' das pessoas, segue um paradigma
não científico que está baseado na sua observação da
sua eficiência prática em contato direto com as massas. A chave da
eficácia discursiva de Lula parte da expressão da sua personalidade
carismática, que através de sua biografia, revela marcas que
evidenciam a semelhança com a classificação de Mark e Pearson
(2001) para o arquétipo do Herói. Vejamos como a sua biografia se
correlaciona com uma saga heróica, segundo o esquema do Herói de
Campbell (MARK e PEARSON, 2001, p. 316):
- Herói começa em um mundo comum.
Lula nasce em Caetés, Pernambuco, emigra para Santos, vende laranja e
amendoim no porto. Torna-se um humilde operário torneiro-mecânico.
- O Herói é chamado para a aventura, mas quase recusa o chamado.
Lula, ao ser representante da sua seção de fábrica não
esperava ser o maior líder sindical do país, entrar para a cena
política como deputado e futuro presidente da República.
- Um conselho sábio encoraja o herói a prestar atenção ao chamado.
Seus companheiros da cúpula sindical, intelectuais de esquerda,
religiosos, líderes de movimentos sociais o exortavam a assumir maiores
cargos como líder nacional.
- O herói entra em mundo especial onde é testado e encontra aliados e inimigos.
As greves do ABC atraíram a repressão da ditadura militar. Lula
consegue apoio de trabalhadores, donas de casa, intelectuais, estudantes,
religiosos e movimentos da sociedade civil, que sob a sua liderança
engendram a unidade de uma causa comum.
- O Herói enfrenta o inimigo, apodera-se da espada e retorna com o elixir.
Lula foi preso e ao ser libertado projetou-se como um forte personagem
político, cujo carisma dá a seus correligionários uma
"química espiritual'' para transformar a vida nacional.
O leitor poderá dizer que muitas biografias se encaixam no perfil acima
e respondemos que é verdade. Quase todo líder dos movimentos
sociais tende a expressar uma trajetória heróica e, não
diferente disto, Lula desde cedo, quando transitava pelas cidades do Brasil,
arrastava multidões e, deste modo, representa mais do que a si mesmo,
é um dos símbolos alegóricos da transformação social.
As declarações de Lula que vamos analisar foram proferidas após
o mensalão e cumprem a função de responder ao que ele não pode
responder: como o "único partido ético'' do país teve quarenta
dos seus mais altos integrantes indiciados como formadores de quadrilha?
Como não pode responder especialmente a pergunta: É responsável,
ou conivente com o mensalão? Respostas positivas ou negativas a estas questões o
tornariam juridicamente passível de impeachment, daí que sua saída tem
sido recorrer à sua biografia, atestando sua "trajetória
heróica'' rumo à defesa social da sociedade brasileira, colocando-se
muitas das vezes como vítima de conspirações dos opositores.
O leitor observará que a estrutura comunicativa de Lula possui uma
unidade estilística, que difere da lógica Apolínea com um conceito central, defendida por Duda Mendonça. Segundo nossa
definição, Lula emprega a lógica Dionisíaca da eukosmia. A eukosmia (BRUNEL, 1988, p.243) dá unidade para reger a profusão de diversos
estímulos, como a aparente desordem do jazz e do desfile de escolas de
samba. Ela não expressa um minimalismo conceitual da verdade para
transformar o mundo, ordena a profusão da estética barroca para
promover uma catarse para diversos tipos de demandas das diversas
personalidades. A eukosmia pode ser exemplificada pela ordem pouco a pouco
perceptível no mosaico de declarações de Lula, que expressam
força, altivez e amor próprio, passível de gerar
identificação com o homem cordial, sem responder objetivamente
às questões éticas do seu governo. Ao final da lista de
declarações, todas retiradas da Revista Veja, no período de
abril a novembro de 2005, analisaremos o discurso pelo conceito de Todorov
(1979) das estruturas narrativas. Anteriormente a cada citação,
está classificado o tipo de arquétipo associado à mesma, de
acordo com as definições de Mark e Pearson (2001).
- Arquétipo do Herói (justiça) e do Cara Comum (humildade):
Neste país está para nascer alguém que venha querer discutir
ética comigo. Eu sou filho de pai e mãe analfabetos, minha mãe
não era capaz de fazer o "O'' com um copo. E o único legado que
eles deixaram, era andar de cabeça erguida [...] Eu conquistei o direito
de andar de cabeça erguida com muito sacrifício. E não vai ser
a elite brasileira que vai fazer eu baixar a minha cabeça. (Revista
Veja, 22. jul., 2005, p. 52)
Lula defende a lisura ética do seu governo pela sua origem familiar e
social.
- Arquétipo do Herói (justiça):
Pelo bem ou pelo mal não tem como o presidente da República dizer
que não tem responsabilidade. Sabendo ou não sabendo, o presidente
da República tem responsabilidade de ter que mandar apurar. (Revista
Veja, 16. nov. 2005, p.51)
Lula assumindo a sua culpa na crise do mensalão.
- Arquétipo do Governante (controle):
Não posso admitir que companheiros, em nome da facilidade, da
presunção, começassem a terceirizar campanha financeira de um
partido. Por isso que eu acho que fui traído por todos os que fizeram
essa prática condenada pelo PT e pela sociedade brasileira. (ibid)
Lula condenando a prática do caixa dois, apontando a culpa da crise ao
PT e "companheiros''.
- Arquétipo do Cara Comum (humildade):
Eu estou presidente. Mas sou mesmo é dirigente sindical.
(Revista Veja, 27. abr., 2005, p.58)
Lula em encontro com dirigentes trabalhistas.
- Arquétipo do Fora-da-lei (desestruturação):
O que o PT fez do ponto de vista eleitoral é o que é feito no Brasil
sistematicamente. (Revista Veja, 19. out. 2005, p. 52).
Ataca outros partidos para justificar o caixa dois do PT como fruto da
cultura nacional da corrupção.
- Arquétipo do Governante (controle):
Esse foco já foi debelado. Matamos todas as reses. Já fizemos as
barreiras nas fronteiras em que era preciso fazer. Eu acho que vamos mostrar
ao mundo a eficácia e a ação do governo. (Revista Veja, 26. out.
2005, p. 49).
Afirmação de Lula no mesmo dia em que o Ministério da
Agricultura do seu governo confirmou três novos focos de febre aftosa no
Mato Grosso do Sul
- Arquétipo do Herói (justiça):
Trabalhar com a verdade é muito melhor. A desgraça da mentira é
que, ao contar a primeira, você passa a vida inteira contando mentira
para justificar a primeira que contou. (Revista Veja, 27. jul. 2005, p.50).
Lula elaborando uma tese para afiançar seu apego a uma rigidez
ética.
- Arquétipo do Anti-Herói (desestruturação):
Quem estiver torcendo para o fracasso do Brasil vai quebrar a cara. (Revista
Veja, 08. jul. 2005, p. 42).
Confundindo sua imagem com a imagem da nação.
- Arquétipo do Mago (transformação mágica):
Vocês não sabem o que é urucubaca. (Revista Veja, 19. out. 2005,
p. 4).
Lula considera as acusações éticas contra seu governo como
frutos da inveja que provoca má sorte.
Segundo Mark e Pearson (2001), Lula poderia estar incorrendo no erro de
diluir a sua "identidade de marca'' ao saltitar em tantas plataformas
arquetípicas. Mas estas autoras afirmam que o arquétipo do
Herói possui a potencialidade de encarnar a lógica de diversos
outros arquétipos, para potencializar a sua missão social. Pode ser
que na cultura de Macunaíma, do "herói sem caráter'', um o
herói com muitos caráteres, seja a outra face de uma moeda de muita
aceitação.
No modelo de análise da narrativa de Todorov (1979), este enfatiza que a
função da narrativa é o de transformar a percepção dos
estados de realidade; neste sentido, os verbos são os agentes essenciais
desta transformação. No campo político existem, conforme
constata na Política de Aristóteles (2005), três estados de realidade: as
necessidades da nação (anankê), os caracteres do político
(aretê), e os anseios históricos desta nação. Lula nas suas
declarações públicas incide para transformar a percepção
dos caracteres do seu próprio personagem, aretê, reafirmando suas virtudes
carismáticas. Nas declarações que apresentamos de Lula ela
não discursa reflexivamente como transformar o estado das necessidades
da realidade nem sobre os anseios éticos da nação.
Lula não profere verbos de transformação de estados da
realidade, segundo Todorov (1979) seu discurso é "Iterativo'',
estático, apenas descreve os seus próprios caracteres
carismáticos. Sua sintaxe é de "adjunção'' do tipo
(e/ou), associando à sua personalidade adjetivos que
reafirmam analogias positivas, ou se "resvalando'' dos adjetivos negativos.
Ninguém da elite pode criticá-lo eticamente, pois seus pais humildes
lhe ensinaram honestidade; se existem culpados Lula os julgará; afirma
que foi traído por seus correligionários que aproveitaram-se de sua
ingenuidade; continua um humilde sindicalista; a ética do mensalão é igual a
de todos os políticos brasileiros; seu governo seria eficiente, pois
havia debelado uma epidemia (embora desmentido pelos fatos); prefere uma
atitude ética da verdade monolítica; quem é contra seu governo
é contra o Brasil; o que aconteceu de falho deve-se à inveja.
Lula soube avaliar que o seu contrato eleitoral é carismático, que
sua trajetória política tende a ser defendida por se confundir com
uma alegórica bandeira do socialismo, que a massa de eleitores
subdesenvolvidos tende a não cobrar índices de racionalidade
empreendedora, mas dividendos assistencialistas (tipo "bolsa
família''), e muitos da esquerda brasileira são regidos pela
caridade cristã. Lula foi hábil em não falar sobre a "verdade''
de um processo burocrático-legal e sim em se referir sobre a sua
legitimidade "verossimilhante'' no papel "ficcional'' de herói
carismático. A "torcida'' para que o herói "se safe'' é comum
à narrativa ficcional como à narrativa política.
O líder carismático está parcialmente isento, segundo Weber
(1999), dos critérios de verdade do mundo material. Claro que do
xamã se espera chuva, do guerreiro vitórias, do músico
emoção sublime, mas o contrato com ele é que expresse os
caracteres que motivam a sociedade a superar a tensão diante das
limitações das chuvas, do medo do inimigo, da inabilidade
estética. Do líder carismático cobra-se uma vibração
que eletrize os subordinados, seu papel para as realizações
materiais é indireto, dos seus auxiliares é que se espera o
gerenciamento efetivo para superar os anseios e necessidades. Lula é o
motivador da realização legal-burocrática a ser cobrada aos
tipos Zé Dirceu, Palloci e Mercadante. Tanto que a avaliação da
opinião pública é negativa quanto ao governo Lula (seus
ministérios), mas de aprovação da imagem do presidente Lula,
demonstrando uma das muitas contradições lógicas do eleitor
médio.
Se a verdade do homem cordial é a do coração, parece que a
verdade de um "Lula'' é a da carnavalização. Ele pode subverter
o personagem gerencial do presidente em diversas imagens da cordialidade
brasileira. O público, ao julgar positivamente a estética ficcional
de um político, parece "blindar'' o julgamento ético da sua
gestão. Enquanto houver pão.
O Brasil não é um país para principiantes.
Tom Jobim
O campo comunicativo no Brasil é complexo graças ao imenso abismo
social que Gilberto Freyre (1954) metaforizou como "casa grande e
senzala''. Os desejos simbólicos a serem atendidos por um
"político'' são muitas vezes antagônicos; têm que agradar
a lógica científico-mercadológica do agro-negócio e
agressivo assistencialismo dos Sem Terra.
O brasileiro médio transita em dois pólos simbólicos da
lógica comunicativa, no minimalismo conceitual e no senso comum da nossa
cordialidade barroca. Ele atua coerentemente numa viagem de avião ao
exterior, como na lógica carnavalesca do ônibus que vai para a
praia. A pergunta que cabe ao estrategista da comunicação é se
cada espaço simbólico deve ser administrado por lógicas
comunicativas diversas, ou se é mais "econômico'' sintetizar a
lógica "racional-conceitual'' com a "intuitiva senso comum''.
Na análise da lógica comunicativa das declarações de Lula versus a racional conceitual de Duda Mendonça, não observamos a
existência de uma síntese para reger campos comunicativos diversos.
Lula regido pela lógica da eukosmia (BRUNEL, 1988), que ordena uma aparente
desordem por uma "racionalização do caos'', que Gilberto Freyre
(1954) defende como "saber fazer dos defeitos, virtudes'', proferia a cada
semana mensagens associadas a diferentes arquétipos; enquanto os
publicitários do seu governo emitiam anúncios sob unidade conceitual
dos slogans: "dê bom exemplo que esta moda pega'' e "o melhor do
Brasil é o brasileiro'', ou ainda, "eu sou brasileiro, não desisto
nunca''.
Estas diferentes imagens montam um "mosaico polifônico'', cuja aparente
irracionalidade é sistematizada pelas pesquisas de opinião, que um
"centro político invisível'' ao lado
de Lula, regula as reações, ora pisando o pedal de maior
racionalização referente a realizações governamentais, ora
pisando no pedal da identidade heróico-carismática de Lula. O
eleitor se inebria nos vapores da "espiral comunicativa'', pois se Lula
não atende às expectativas como gerenciador moderno, gera empatia na
alma cordial brasileira com os lamentos do "Cara Comum'', do "Inocente'' e
do "Herói''. A tendência é a de perder apoio nos indecisos
identificados com a racionalidade gerencial, mas os programas de
transferência de renda tipo "bolsa família'', a fé no
socialismo utópico e na "identidade de resistência'' dos movimentos
sociais dá sustentação ao seu carisma-heróico.
O único signo visível de uma possível síntese
comunicativa entre dois brasis, está na logomarca do governo Lula, as
letras de Brasil, possuem um tratamento barrocamente carnavalizado, mas
estão ordenadas no seu perfil por uma lógica
geométrico-racional. Semelhante à evolução de escola de
samba no rígido perfil do Sambódromo.
A partir da leitura de Weber (1999) o diagnóstico para a imagem de Lula
corresponde à identidade dos que "querem se adaptar ao mundo'',
associada aos arquétipos que Mark e Pearson (2001) classificam como de
Pertença/Grupo (interação e integração social). A imagem
criada por Duda Mendonça para o governo Lula corresponde à projeção futura dos que "querem transformar o mundo'', mais associada aos
arquétipos de Estabilidade/Controle (estruturam o mundo). O marketing
pessoal de Lula é o da identidade com sua simpatia cordial enquanto (sem ironia)
inaugura a tapagem de buracos nas estradas. A projeção com Estabilidade/Controle e identidade com Pertença/Grupo parecem atender ao conjunto de motivações
arquetípicas do indivíduo.
Nos programas do Big Brother, uma média de trinta milhões de eleitores expulsa
candidatos identificados com signos da elite brasileira: altos, belos e
arrojados, sendo percebidos como arrogantes e racionalmente discriminadores.
Elegem os identificados como a "senzala brasileira'', baixos, "feios'',
humildes, mas sob a identidade da simpatia e ingenuidade integradora. Em
grande medida, podemos afirmar que o eleitor que votou em Banban teria a mesmo identidade do que votou em
Lula. E votará de novo, especialmente se a racionalidade de um Duda
Mendonça desenhar horizontes imaginários para o homem cordial
brasileiro.
ARISTÓTELES. A Política. São Paulo: Hemus, 2005. pp.
77-115.
BRUNEL, Pierre. Dicionário de Mitos Literários. Brasilia:
UNB, 1988. pp.233-248.
FREYRE, Gilberto. Casa Grande e Senzala. Rio de janeiro: José
Olímpio, 1954. pp.95-171.
GALL, Norman. Lula e Mefístoles. São Paulo: A Girafa,
2005. pp. 09-74.
HIPPOLITO, Lucia. Por Dentro do Governo Lula. São Paulo:
Futura, 2005. pp.20-301
MARK, Margaret. PEARSON, Carol. O Herói e o Fora-da-Lei. São Paulo: Cultrix, 2001. pp. 21-58.
MENDONÇA, Duda. Casos & Coisas. São Paulo: Editora
Globo, 2001. pp. 33-90.
SOUZA, Jessé (org.). A atualidade de Marx Weber. Brasília:
UNB,2001. pp. 49-103.
TODOROV, Tzevtan. As estruturas narrativas. São Paulo:
Perspectiva, 1979. pp.46-62.
WEBER, Max. Economia e Sociedade. Brasília: UNB, 1999. pp.187-356.
Revista VEJA. (27. abr. 2005), (08. jul. 2005), (22. jul.2005), (27. jul.
2005), (19. out. 2005), (19. out. 2005), (26. out. 2005), (16. nov. 2005)
Footnotes
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Mensalão é um
neologismo alcunhado pelo deputado Roberto Jéferson (PDT) que denunciou
um imenso desvio de dinheiro do erário para favorecer o PT a subornar
mensalmente os votos dos políticos na Câmera dos Deputados.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- A
imprensa divulga que Lula e outros petistas afastaram Duda, graças ao
seu envolvimento em escândalos éticos, mas que este, na "esfera
secreta'', supervisiona a estratégia das campanhas através de
antigos sócios.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Apresentamos intuição entre
aspas, pois como os piagetianos, a consideramos como um tipo particular de
racionalidade e não como irracionalidade. A associamos ao pensamento
analógico e sincrético da realidade.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- É caracterizada pela primazia minimalista de um conceito único que
consegue enxergar na ordenação da realidade a perspectiva do futuro.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Seguimos a lógica
interpretativa do modelo Servuction de J. T. Thompson, cuja carnavalização na
Área Visível de uma organização é ordenada por valores
da racionalidade Taylorista/Fordista da Área invisível.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Candidato do Big Brother identificado com os arquétipos de Bobo da
Corte, Inocente e Cara Comum.
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