Espaço público, opinião e democracia
Nilza Mouzinho de Sena
Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas – Universidade Técnica de
Lisboa
E-mail: nsena@iscsp.utl.pt
A opinião corresponde sempre a um juízo formulado a respeito de
qualquer facto e a sua dimensão pública surge quando essa
opinião é partilhada com um vasto número de indivíduos a
tal ponto que, a observação emitida poderia ser de qualquer um
deles. Naturalmente que esta definição é demasiado simplista e
meramente introdutória, não fosse a complexidade do tema
indestrinçável da teia social e do processo comunicativo.
Neste contexto, surgem de imediato algumas indagações que se prendem
com a análise da própria expressão opinião pública: de quem são as
opiniões que formam a opinião pública? A opinião pública
exprime necessariamente um consenso ou a opinião de uma maioria?
Admite-se que a opinião pública tem poder ou são os media que têm
o poder?
A opinião pública é quase uma força abstracta que nenhuma
constituição prevê de forma institucionalizada, mas cuja
expressão constitui o fundamento implícito de todas as democracias.
Alfred Sauvy afirma que "a opinião é um árbitro, uma
consciência, diremos que quase um tribunal desprovido de poder
jurídico, mas receado. É o foro interior de uma nação. A
opinião pública, esse poder anónimo, é uma força
política e essa força não foi prevista por nenhuma
constituição'' .
As primeiras teorizações acerca da opinião pública surgiram
pois durante o século XVIII, período no qual diversos cientistas
políticos, historiadores e sociólogos aludiram à expressão
para justificar certas atitudes, porque ao nível individual a
opinião confundia-se com uma atitude. A tradição empírica
na pesquisa de opinião e da atitude principiou modestamente na Alemanha
com simples experiências de laboratório sobre a solução de
problemas, em que se elaborou a noção de "tendências
mentais'' .
Seguidamente, ganhou força com o trabalho de sociólogos da Escola de
Chicago, que encetaram o estudo das atitudes e valores, no qual o nível
colectivo começa a ser valorizado.
Os psicometristas apresentavam o portentoso problema da medição da
opinião. Finalmente, o pessoal da pesquisa de opinião pública
restringiu o âmbito conceptual, mas ampliou sensivelmente o campo das
aplicações práticas. A pesquisa de opinião pública
converteu-se em ciência social empírica, com as dificuldades
próprias decorrentes da passagem de um conceito antes intuitivamente
apreendido, para um objecto de investigação científica de
grande complexidade.
Depois das primeiras dissertações sobre o tema permanecia
incógnita a definição do conceito, pelo que Steinberg admitia
mesmo, ainda no decénio de 70, que "a opinião pública não
é facilmente susceptível de definição científica.
É um subproduto de processos educacionais bem como do crescimento dos
meios de comunicação de massa'' .
O eminente sociólogo Gabriel Tarde entende a opinião como um
processo completamente adstrito ao enquadramento público, fazendo a
seguinte analogia: "a opinião está para o público (...) tal
como a alma está para o corpo'' . Na sua perspectiva, "a opinião (...) é um
agrupamento momentâneo e mais ou menos lógico de julgamentos.
Respondendo a problemas actualmente colocados, esses julgamentos
encontram-se reproduzidos em numerosos exemplares junto de pessoas do mesmo
país, da mesma época e da mesma sociedade'' , pelo que representa a transformação de uma opinião
individual numa opinião colectiva. Esse mesmo raciocínio parece
estar patente na teorização de Hannah Arendt, já que refere que
a questão da opinião pública , sobretudo a que
está relacionada com factores políticos "diz respeito ao todo que
nós partilhamos uns com os outros de forma involuntária e onde
nós podemos intervir mais, porque temos quase mais ocasião de fazer
uma experiência directa'' que origina
uma opinião global.
O conceito tem assumido contornos díspares em função dos
autores, da época e do enquadramento, daí que não raramente o
vejamos também associado a sistemas políticos, redes
comunicacionais ou escolhos públicos. Arredada fica a concepção
que faz acreditar que à opinião pública corresponderia a soma
das opiniões individuais da maioria, simplesmente porque "a opinião
pública não é um sufrágio popular'' .
Contudo, a generalidade dos autores concorda que a opinião pública
se relaciona a ascensão da classe média, a difusão e
desenvolvimento de instituições democráticas, o aumento
considerável de taxas de alfabetização e literacia e,
obviamente, o lugar cada vez mais destacado dos meios de
comunicação. "Somente quando se reduziram as desigualdades
económicas e sociais e os elementos da população que se elevavam
não se mostraram dispostos a aceitar a desigualdade política, foi
possível exigir que o governo fizesse concessões à opinião
pública'' .
Ao longo do século XX o panorama dos mass media viu-se inundado por uma série
de estudos que tentavam explicitar o seu funcionamento, as suas
influências e, sobretudo, o seu lugar numa sociedade de massas. Os
estudos contemporâneos, mais consentâneos com a compreensão
global do fenómeno de formação da opinião pública e
respectivas implicações, não descuram os efeitos dos media na
formação da opinião. É relativamente certo afirmar que "as
notícias de diferentes fontes podem, de vez em quando, provocar
mudanças nas preferências colectivas do público'' .
Com efeito, os media não são simples veículos neutros da
informação transmitida, pois fazem um exigente trabalho de
enquadramento temático das questões que divulgam ao público, mas
nem sempre informam atribuindo a mesma importância aos factos que as
fontes enfatizam, sobretudo as mais próximas das elites políticas
ou mesmo segundo os critérios de interesse e exigência públicos.
"Os diferentes domínios mediáticos guardam uma autonomia limitada,
uma vez que certos valores profissionais e individuais influem no trabalho
mediático e porque a linha política geral não é sempre
perfeitamente servida e os media podem mesmo autorizar-se a si próprios a
tratar certas temáticas - algumas reportagens colocam em causa o ponto
de vista dominante'' . Afinal como se constroem as agendas?
Que justificações existem para os desvios entre indicadores de
comportamento social e a própria agenda mediática? Qual o
critério para validar as sondagens de opinião como medida para a
opinião pública? Estas e outras questões preenchem o universo
dos investigadores que estudam a relação entre media e opinião
pública, que o mesmo é dizer entre os media e a sociedade em geral.
Portanto, é a partir da análise da sociedade enquanto
organização colectiva que podemos entender e estudar a necessidade
de comunicação do indivíduo, que o permite engajar-se
socialmente e, paralelamente, a presençasintomática e ascendente dos meios de comunicação massa que
acompanham a complexidade social.
O questionar o espaço público e a formação da opinião
pública como estandartes de um sistema político aberto e
flexível, que introduz informação e canais de
comunicação com a mesma facilidade com que antes se instituíam
esporas e amarras, permite que nos antecipemos a pensar sobre os
acontecimentos públicos, sobre as mensagens veiculadas pelos media e que
recebemos diariamente como realidade endógena do próprio processo de
mediatização. Muitos desses acontecimentos não existiriam sem a
componente afecta ao seu encaixe público. A sua publicitação
é que torna o assunto uma entidade identificável no espaço
público que conduz à formação de uma opinião igualmente
pública.
Assim, é pertinente pensar que não há acontecimentos com
importância atribuída e susceptíveis de tocar o espectro
público que não tenham, hoje, uma correspondente
interpretação e publicitação mediática. É caso para
pensar: vale o acontecimento ou mediatismo do acontecimento? Desse modo, a
opinião pública aparece como um fenómeno social intrinsecamente
complexo quer na sua formação, como também na sua estrutura, no
seu impacto político-social e no seu tratamento público, pelo que
importa considerar o seu processo histórico, os factores predominantes
na sua formação e o seu enquadramento no sistema político -
são eles que determinam a visibilidade do acontecimento.
A história da opinião pública evoluiu a par das diversas
técnicas de comunicação. A emancipação de uma
opinião pública - à semelhança da comunicação de
massa - pressupõe a urbanização massiva, fenómeno que
ocorre especialmente ao longo do século XIX, graças à
Revolução Industrial, dificultando que as pessoas se comuniquem
directamente. As crises político-sociais, o aparecimento do mercado, a
dissociação do poder estatal do poder clerical, a própria
explosão demográfica nunca vista e a individualização
crescente e moderna traduziu em pouco tempo uma transformação na
natureza das organizações colectivas. O quadro comunicacional exige
agora uma adaptação a este tipo de sociedade, cuja
estruturação difere da antiga forma comunitária. "Os valores da
tradição não podem mais garantir a inserção do
indivíduo no espaço colectivo (...). A organização em forma
de sociedade pressupõe o convívio de uma multiplicidade de
comunidades (...)'' , nas quais cada
indivíduo estabelece um conjunto de relações efémeras e
circunstanciais (na vizinhança, na escola, no trabalho, no círculo
de amizades...) e que o ajudam a formar a sua identidade.
Desse modo, percebe-se que o indivíduo desta sociedade moderna não
tem o seu percurso assegurado pela tradição, mas sim pela
integração espontânea na diversidade de formas colectivas de
agrupamento. Por consequência, a necessidade de
intermediários para que haja comunicação efectiva entre os
diversos agrupamentos implica que se criem meios cada vez mais sofisticados
de "distribuir'' informação. A comunicação e, neste
âmbito, também a própria opinião colectiva, resultam da
necessidade de agir racionalmente com o propósito de inserção
social. Neste processo concreto de organização colectiva é que
os meios de comunicação passam a ter um papel relevante e a
contribuir para o aumento da participação das massas - agora mais
informadas e participantes da instância chamada `actualidade'.
Os inúmeros palcos da história da comunicação humana parecem
aproximar o grau de intervenção popular nos sistemas políticos
em geral. A emergência de uma opinião pública está
articulada com o atributo que cada sistema político e governativo lhe
confere. "(...) Se o governo negar efectivamente a importância da
opinião dos cidadãos sobre as questões públicas na
elaboração da política, ou se impedir a livre e pública
expressão de tais opiniões, a opinião pública não
existe'' .
É verdade que os gregos gostavam de digladiar-se em longos discursos nas
diversas instâncias jurídicas. Por outro lado, o desenvolvimento da
democracia grega, praticada por meio das deliberações dos
cidadãos da pólis grega, realizadas no ágora, local no cume de uma montanha onde se
reuniam os cidadãos mais abastados da cidade-Estado, permitia a
prática do debate de ideias e consequente formação de
opinião . A Grécia notabiliza-se precisamente pelo facto de, pela
primeira vez, no Ocidente, ter reflectido a respeito da comunicação
humana, a partir das figuras dos chamados filósofos
pré-socráticos e pelos sofistas terem exercido largamente a
comunicação como prática de poder .
Diferentemente, mas não menos importante é a contribuição do
Império Romano para a história da comunicação e da
opinião pública. Os romanos entenderam os processos comunicacionais
como essenciais para controlo social, para a garantia do poder
instituído e exercício político. Antecipando-se às crises
que ciclicamente ocorriam, o escol romano procurava manter-se informado
sobre tudo o que acontecia, garantindo não só significativas
acções de informação, como também o cultivo de uma
opinião consensual que fortalecesse as posições
político-militares. O forum substitui o ágora e a vox populli dos romanos correspondia aos
cidadãos de Roma com direito a expressar a sua opinião .
A história da opinião pública segue com os sermões,
cantigas, feiras e viagens pródigos na Idade Média e o conceito de
"consensus omminium (acordo de todos) que expressa a voz de uma opinião coesa em torno da
fé cristã'' . Enriquecida
com a invenção do tipo móvel e a conquista do papel, a
comunicação permite a plena difusão de novidades num ritmo
inusitado e moderno, que permitia a formação de opinião sobre os
mais variados assuntos. A história da opinião pública escreve-se
principalmente em torno desses canais de comunicação, como por
exemplo, a praça do mercado na Grécia antiga; o teatro na Roma
imperial; os sermões, cartas e baladas medievais, que mais não
são do que os actuais jornais, livros, rádios, cinema e
televisão.
Parece que conhecemos melhor a história da alfabetização, da
imprensa, das indústrias modernas do que a história das
instituições sociais que serviram de ferramenta de ascensão
política da opinião pública. Sabemos que a partir de final do
século XVIII e a primeira metade do século XIX, o surgimento da
escola leiga, gratuita, pública - que corroborava a utopia de igualdade
e fraternidade lançada pela Revolução Burguesa de 1789 em
França -, bem como um sem número de descobertas que fomentaram o
desenvolvimento cultural fez brotar, amiúde, a opinião pública.
Mas ainda assim é muito pouco.
Em Inglaterra e em França a formação da opinião pública
teve raízes em instituições sociais como os cafés e centros
de reunião. "Nas cidades, que a vida comercial foi construindo ou
revitalizando, nascem os salões, os cafés, as sociedades comensais,
os clubes, etc. - novos espaços sociais onde a classe burguesa
emergente dá prova do seu requinte e das suas ambições
intelectuais, em confronto com a velha aristocracia
nobiliárquica'' . Os
cafés do século XVIII e XIX popularizaram-se como pólos de
disseminação de notícias, debates políticos e crítica
literária. Os cafés eram mesmo importantes redutos culturais, pelo
que Londres no século XVIII possuía aproximadamente dois mil
estabelecimentos.
Com a história do café na Inglaterra, dos salões privilegiados
em França onde se distinguiam intelectuais de alto gabarito - que
remontavam já às cortes italianas da Renascença -, governava-se
a opinião pública, quase com mais vigor do que o tinham feito antes
algumas cortes. Na história social da Alemanha, o salão e o café
não exerceram a mesma influência sobre a dignidade e o estilo
literário dos autores ou sobre os costumes e opiniões dos
públicos, agora distanciados da esfera privada. Há inclusivamente
autores que acreditam que a expressão opinião pública teve origem no iluminismo, apoiada
nas prolixas filosofias liberais, racionalistas, mundanas que colocavam o
homem e os seus direitos no centro do mundo. As instituições sociais
que ajudaram a pavimentar o caminho para o reconhecimento social das ideias
iluministas na Alemanha e para a consequente formação de
opinião, foram as estólidas sociedades morais e patrióticas do
século XVIII alemão e os linguistas aristocratas que se emancipavam
nessa sociedade .
Depois da revolução francesa, "a comunicação (...) conheceu
um novo patamar de funcionamento, a massificação, graças a
conquistas industriais e ao imenso alargamento dos públicos que, ao
mesmo tempo, se desdobravam e especializavam. A imprensa, definitivamente,
tornava-se uma mercadoria dentro do sistema capitalista de
produção'' . As mudanças institucionais na sociedade europeia acarretaram o
aparecimento da opinião pública como factor proeminente na
política, em que um público fechado e restrito se transformou,
lentamente, num público aberto, aumentando o seu tamanho e a sua esfera
social à medida que o analfabetismo diminuía.
Na Europa do século XIX, a opinião pública era sinónimo de
opiniões expressas pelos representantes políticos do eleitorado,
pelos jornais e pelos membros ou organizações preeminentes da classe
média. Na Inglaterra, a fé nos efeitos salutares da discussão e
na capacidade de persuasão da opinião liberal sobre a
direcção dos assuntos nacionais cresceu, sobretudo
graças aos proprietários de terras e às mais altas esferas do
comércio que constituíam a classe que integrava a maioria dos
membros das câmaras vigentes. Na Alemanha, Itália e França,
aqueles que expressavam grande parte da opinião pública eram
também os grupos mais endinheirados. "Nas épocas mais antigas, a
distância social entre os homens e as instâncias do poder era muito
maior que hoje. Os ricos e poderosos eram relativamente mais ricos e mais
poderosos. A massa escapava inteiramente às rivalidades que se exerciam
entre eles. A sua opinião não contava nada; eles simplesmente
aceitavam os acontecimentos, mas não participavam deles'' . Essa situação levava a que se
questionasse efectivamente o teor dessa formação de opinião, uma
vez que nos Estados Unidos acreditava-se que prevalecia um governo da
opinião pública.
Alexis de Tocqueville e outros autores expressavam essa condição
única de funcionamento da sociedade americana. Tocqueville afirmava
mesmo que "a tendência para se acreditar cegamente num determinado
homem, ou numa determinada classe, diminui à medida que os cidadãos
se tornam mais iguais e com ideias mais semelhantes. Aumenta a tendência
para se acreditar nas massas, e o mundo é dirigido cada vez mais, pela
opinião pública'' . Claro que reaccionários, românticos,
socialistas utópicos e até marxistas atacaram todas essas
convicções liberais e lançaram dúvidas sobre a moralidade e
a capacidade representativa das opiniões da classe média no
século XIX. Não se preocupavam, entretanto, com a liberdade
de pensamento, com a iluminação premente do espírito; na
verdade contribuíram para ofuscar essa possibilidade.Tocqueville, porém, percebeu precocemente que, nas `épocas de
igualdade', a libertação do povo da ignorância e do preconceito
pelo Iluminismo poderia comprar-se ao preço do pensamento igualizador e,
por isso, não hesitou em defender que "durante as épocas de
igualdade, os homens não têm nenhuma confiança uns nos outros,
individualmente, por se verem todos semelhantes; mas é esta mesma
semelhança que lhes dá uma confiança quase ilimitada no
julgamento da opinião pública''. Desse modo, conclui que "a
opinião pública exerce, nos povos democráticos, uma
influência muito maior do que as nações aristocráticas
podiam imaginar. A opinião pública não age por persuasão;
impõe-se, e penetra nas almas, por meio de uma espécie de
pressão imensa que o espírito de todos exerce sobre a
inteligência de cada um'' . Com este
raciocínio, Tocqueville salienta ainda mais vivamente a relação
entre as diversas instituições democráticas e a influência
da opinião pública produzida a partir da igualdade entre
cidadãos e da própria maioria na qual ceva a sua legitimidade. Foi
uma das primeiras grandes teorizações sobre a solidez da democracia
americana e o importante papel da opinião pública na
sedimentação do sistema político.
Depois desses estudos, os autores americanos passaram a considerar
importante a medição da opinião pública como uma forma
válida e útil de `executar' a democracia, pois consideravam que na
era das comunicações de massa, haveria condições para que o
governo soubesse antecipadamente as repercussões dos seus actos junto
dos cidadãos. A opinião pública era tida quase como uma
instância que privilegiava a comunicação de governados para
governantes.
A visão política da opinião pública levou a que
numa primeira fase, as investigações evidenciassem
a acentuada preocupação da opinião
pública com os assuntos nacionais, isto é, com questões
de interesse imediato para a vida dos cidadãos. As questões
de política internacional pareciam menos relevantes, mas esperava-se
que fossem finalmente consideradas, à medida que se ultrapassasse
o domínio do poder e se alcançasse o da
discussão e do acordo, à proporção que a opinião
pública se tornasse mais esclarecida.
Já o século XX inaugurou uma nova e venturosa fase da história
da comunicação, com a invenção do cinema, o uso
estratégico da rádio e, anos depois, o aparecimento da
televisão. Todos eles corroboram a crescente avidez por
informação e concorrem para a formação de uma opinião
cada vez mais participante.
Dificilmente poderemos estudar a vida colectiva e a organização da
sociedade contemporânea sem posicionar a opinião pública como
uma referência incontornável e, por isso mesmo, digna de
crédito. "A sua influência ao longo da história prolongou-se de
uma forma efectiva e por muito mais tempo que os paladinos
revolucionários do `espaço público plebeu'
imaginaram'' .
Depois de ter sido considerada uma instância que conferia sensatez à
política e às relações internacionais, a opinião
pública foi abalada pelos conflitos bélicos mundiais do século
XX, para mudar radicalmente em relação àquela opinião
pública que se apresentou nos séculos XVIII e XIX, por altura da sua
emergência e que é também a da constituição da sociedade
liberal e do pensamento democrático no Mundo Ocidental.
Se muitas das condições do século XIX foram já ultrapassadas
ou mesmo desenvolvidas, persiste ainda a reminiscência dos públicos
que caracterizaram tantas comunicações novas do século em causa.
Os públicos, entretanto, não foram propriamente abolidos, mas tendem
a desvanecer-se e a ver enfraquecida a força que correspondia à sua
forma própria de funcionamento . Vão sobrevivendo,
ainda assim, mas como reminiscências mais ou menos nostálgicas do
passado ou ainda como irrupções espontâneas de novas
práticas de resistência e de contestação social. As
reflexões de Le Bon na Psicologia das Multidões inauguram precisamente a teorização
do fenómeno que depois se veio a chamar massa. Vincent Price observa que
"numa concepção sociológica o público é visto como uma
colectividade livremente organizada que se desenvolve a partir da
discussão acerca de um assunto. Em contraste com a massa, que se reduz
à atenção a algo que importa e que é marcado por respostas
idiossincráticas formadas de forma exógena no debate ou
discussão, o público é marcado pela resolução colectiva
de um problema a partir de um argumento ou contra-argumento'' . À emergência da massa
(desprovida então de anuências celeumáticas) corresponde o
alargamento extraordinário da opinião pública, mas corresponde
também uma alteração profunda dos padrões de
participação e de relacionamento dos indivíduos no seu
interior. Entre outros aspectos, deixa de ser possível facultar a
experiência social que fazia de cada participante uma individualidade
própria para passar a ser mais comum falar em termos colectivos, em
blocos de massa.
O comportamento colectivo passa a ser alvo de uma atenção
desconhecida. A dinâmica da comunicação, conduzida sob
critérios de racionalidade, dá assim lugar, progressivamente, a um
estado de espírito de indiferença, de amorfismo, a um interesse que
é apenas superficial pelos assuntos e que só é capaz de gerar
formas comportamentais reactivas como as sondagens e os inquéritos de
opinião bem tipificam. Se parece não haver sujeitos individuais na
massa, então não há também lugar para falarmos em direitos,
em obrigações ou em responsabilidades.
Esse conjunto de aspectos conferia um carácter ético-moral às
primeiras opiniões consideradas públicas, mas que actualmente se
desvanecem na massa. Georges Burdeau salienta o facto de se assistir ao
declínio da autonomia individual do sujeito unitário, precisamente
porque "a sua vontade e os seus desejos só têm possibilidades de se
realizar por intermédio de um ser colectivo ao qual se agrega e que,
finalmente, lhe confere um rosto anónimo. A massa (...) bem depressa
acaba por se tornar uma força independente'' . Assim, a massa na qual a opinião pública
ganha sentido exprime um anonimato que se destaca do seus componentes
individuais e afirma-se como realidade sociológica autónoma no mundo
contemporâneo. Esta mesma realidade já tinha sido descrita por
Gabriel Tarde no início do século transacto, quando admitiu que a
multidão poderia congregar dentro de si diversos públicos mais
homogéneos. Quanto à massa (multidão como lhe chama) considera
que "é, em geral, bem menos homogénea que o público: expande-se
continuamente, integrando muitos curiosos, aderentes parciais que não
tardam em deixar-se vencer e assimilar totalmente de um instante para o
outro (...)'' . O público é
sempre uma massa virtual e a transformação do público em massa
é sempre possível . A
ascensão da massa corresponde ao marasmo do público (ou
públicos): a sobrevivência do público nos nossos dias é em
larga medida apenas uma ficção e, muitas vezes, também uma farsa
de uma massa que se apropriou do funcionamento e da dinâmica dos
públicos, fazendo-se passar por eles para legitimamente assumir as suas
competências e atribuições. Na realidade, público e massa
apresentam-se como formas de adaptação social e por isso mesmo
modelos transitórios que se vão reformulando à medida do
avanço da própria sociedade. Os públicos constituem assim, o
melhor elo de receptividade de mensagens do século XIX, enquanto que a
sua transformação desembocou na massa e anunciou a recepção
moderna a partir dos novos e abrangentes media.
Entre os problemas que se colocam a partir do momento em que queremos
abordar as questões relacionadas com impacto dos meios de
comunicação ou a sua relação com o sistema democrático,
destaca-se o da formação da opinião pública. A opinião
traduz em cada época juízos de valor e significado variável, em
que, efectivamente pesam os factores subjacentes à sua formação.
"Há atitudes sociais ancoradas em crenças, hábitos,
tradições, sentimentos e até preconceitos nos quais se
alicerça a existência colectiva e que caracterizam uma
cultura'' .
No contexto da formação de um juízo sobre determinado assunto
concorrem factores diversos que acabam por pesar de forma marcante ou
simplesmente simbólica na acção de ajuizar/opinar. Na realidade
"a opinião pública, longe de representar qualquer entidade
supra-individual, resulta de processos interpessoais complexos, que se jogam
nas consciências e na relação que estabelecem com as estruturas
sociais e o funcionamento das instituições'' . Entre outros factores que concorrem para essa
cadeia complexa de formação da opinião, destacam-se os de
natureza psicológica, sociológica e histórica pela sua
preponderância na construção da opinião, embora existam
outros a considerar:
Quadro nº 1 - Factores determinantes da
formação de opinião
| 1. FACTOR PSICOLÓGICO explica largamente muitas motivações, mecanismos de defesa, atitudes e opiniões sobre determinadas realidades, embora seja um factor que actua ao nível individual; |
| 1.1. O factor afectivo, decorrente do factor anterior, parece explicar as preferências e sentimentos também individuais que instigam a formação da opinião sem a interferência da razão; |
| 2. FACTOR SOCIOLÓGICO assume uma projecção colectiva, pois está relacionado com as atitudes de grupos; |
| 2.1. O factor económico e o status social não pode dissociar-se dos demais factores, mas pode condicionar a visão dos acontecimentos e a tomada de posição. No entanto, este factor é um factor dinâmico já que um indivíduo pode iniciar a sua vida num determinado segmento da sociedade e terminar noutro completamente oposto; |
| 2.2. O factor educacional relaciona-se com o grau de instrução e o posicionamento mais ou menos compreensivo do acontecimento fenómeno em causa; |
| 2.3. Factores grupais, em que se destacam grupos clássicos diferenciados em função de sexo, idade e região embora esta diferenciação não seja exclusiva; |
| 2.4. Factor mediático corresponde ao grau de exposição do indivíduo aos meios de comunicação social, pois são eles que muitas vezes toldam a percepção da real; |
| 3. FACTOR HISTÓRICO, também ele de foro social, é mais circunstancial e remete tanto para os condicionalismos históricos de um povo que pode a priori gerar uma opinião latente, como para uma opinião baseada na consciencialização acerca de um acontecimento público. |
Fonte: Monique Augras, Op. Cit., pp. 20/50 (adaptado).
Só a conjugação destes factores é que permite explicar a
tomada de posição e a formação da opinião em casos
específicos. Nenhum destes factores isoladamente explica a
formação da opinião, embora a combinação de vários
já possa contribuir para esse efeito.
Nesse sentido percebe-se que é fácil e recompensador, por exemplo,
chamar a atenção da opinião pública motivando-a
para êxitos, vantagens finais ou progressos significativos, porque
estão envolvidos o factor psicológico que tem a ver com as
necessidades individuais, o factor sociológico porque os êxitos e os
progressos beneficiam a comunidade ou o Estado e eventualmente o factor
histórico. É um caso típico de formação de uma
opinião positiva, pois não há justificação para a
dificuldade em criar uma opinião favorável ou uma aura de sucesso
junto das camadas sociais, quando o assunto é prometedor para todos.
Pelo contrário, é bem mais difícil levar o público a
enfrentar, na sua verdadeira perspectiva, os perigos que ameaçam formas
apreciadas de vida, sobretudo quando esses perigos colocam em causa o factor
psicológico e as motivações mais privadas . E mais difícil ainda, é
mostrar esses perigos quando, não sendo temporários, requerem um
estado contínuo de alerta, porque são o preço permanente que se
deve pagar pela activa participação na vida política nacional
ou mundial. Por exemplo, a justificação para a participação
numa guerra, o constrangimento financeiro do erário público
que obriga ao aumento de impostos, o seguimento de restrições para
uma melhoria económica, mas que se prolonga por tempo indeterminado.
"Um dos problemas potenciais na formação da opinião sobre uma
determinada questão é o grau de variação dependente do
contexto e da visão de outros assuntos implicados'' .
Nestes casos, a formação da opinião é oscilante e embora os
factores envolvidos sejam os mesmos, a unanimidade está longe de ser
conseguida, mesmo evocando facilmente o patriotismo e o interesse nacional
como medidas de apoio a políticas que envolvam sacrifício.Em tempos de paz, as privações impostas pelos governos facilmente
se tornam impopulares ou assim se compreendem. Hannah Arendt argumenta a
este propósito que "os prejuízos jogam sempre um grande
papel e um papel legítimo no espaço público
político'' . Por conseguinte, os
formuladores da política vêem-se tentados a justificar
sacrifícios menores, que reputam necessários, com respeito
a riscos maiores para a segurança e bem-estar nacional, a fim de
despertar e conquistar o apoio da opinião pública. "Abstracta,
intangível, apenas detectável e em constante mutação, a
opinião pública é o grande monstro sagrado que a todos atemoriza
ou impõe respeito, ao mesmo tempo que é por todos perseguida, no
afã de se conseguir penetrá-la e conquistá-la'' .
Do mesmo modo, os formuladores da política tendem a apresentar
à opinião pública as suas acções numa perspectiva de
âmbito curto, porque o público responde muito prontamente a
questões imediatas e esmorece nas acções longas. Assim, o
público pode perder de vista o âmbito temporal da acção
política, na medida em que esta se estende de forma paradoxal entre
dois extremos de difícil precisão - o imediato e o
remoto .
Condicionada pela perspectiva filosófica moderna e por alguns pensadores
que perfilham as novas correntes, a problemática do espaço
público faz pensar num conjunto de mudanças nas complexas sociedades
democráticas, em que a exigência de liberdade continua a ser uma
bandeira.
Dentro das Ciências Sociais e, especialmente, na Sociologia da
Comunicação e na Sociologia Política, o conceito de espaço
público tem ganho terreno para, progressivamente, ser alvo de
atenções. A origem desta problemática é dúbia, embora a
generalidade dos estudiosos concorde que a expressão `espaço
público' tenha tido origem no discurso filosófico moderno.
Se inicialmente o espaço público estava consignado a uma
delimitação espacial física, própria da etnografia e da
geofísica, no domínio das ciências sociais o termo ganhou
outro sentido e amplitude. As noções de esfera pública ou
espaço público tematizam agora o papel da interacção entre
os cidadãos e o processo político. A transcendência do campo da
intimidade e o antagonismo sentido na polaridade que contrapõe
público/privado são as linhas mestras desta questão.
Contudo, foi com os contributos de Dewey, Arendt e Habermas que a
formulação da importância de `espaço público' ganhou um
novo alento nas relações e processos democráticos. Embora as
teorizações fossem distintas, fruto de tradições
divergentes, reconhece-se que Dewey e Habermas focaram aspectos relacionados
com a problemática dos media, enquanto que Arendt focou a sua análise
apenas em considerações de ordem politológica e filosófica.
Distante da perspectiva mediática, Hannah Arendt conceptualizou a
questão do espaço público em contraposição a um
espaço privado que ela também considera importante no domínio
afectivo e sentimental. Na obra A Condição Humana valorizou e reconheceu que "o espaço
público, tal como o mundo comum, congrega-nos a todos (...). O que torna
a sociedade difícil de conduzir não é o número de pessoas
envolvidas, pelo menos do ponto de vista primário, mas o facto do mundo
entre eles ter perdido o poder de juntá-los, relacioná-los ou
separá-los'' . Sob essa
análise de diferenciação entre o número que forma o
espaço e os problemas decorrentes da sua existência, Arendt chama a
atenção para o facto da pertença a uma esfera pública (à
qual todos têm acesso) proporcionar uma nova visão do homem, que a
partir daí deveria ser reconsiderado numa perspectiva dúplice: como
indivíduo e como cidadão .
Há efectivamente similitudes e diferenças nas abordagens
políticas, sociológicas e históricas, mas o horizonte
teórico proposto pelo filósofo Jürgen Habermas, parece ter sido
o mais proveitoso na adaptação às realidades mais presentes,
sobretudo na interligação ao fenómeno media. "Em termos ideais,
Habermas conceptualiza a esfera pública como reino da vida social onde a
troca de informação e pontos de vista sobre questões comuns,
interessam e podem tomar lugar até que a opinião pública seja
formada.
A esfera pública toma lugar quando os cidadãos, exercendo os
direitos de reunião e associação, se congregam num corpo
público para discutir questões do dia, especialmente os que são
relativos à política'' . Dado que as
sociedades modernas não permitem mais do que relativamente poucos
cidadãos fisicamente co-presentes nas instâncias
político-governativas, os media tornaram-se na instituição-mor da
esfera pública. Aqui o conceito de esfera pública de Habermas, tão relançado
nas suas obras, tão originais quanto discutíveis, é avançado como
um modelo de entendimento da comunicação humana, inserido quase coercivamente numa lógica que não pode alhear-se do espaço público
racionalizado. Em muitos dos seus escritos é possível perceber que
a "ideia de uma esfera pública como espaço onde se discutem as
questões práticas e políticas, onde a capacidade de os membros
de uma sociedade se convencerem uns aos outros depende essencialmente da
racionalidade dos discursos'' . O espaço público,
seria do ponto de vista deste autor, uma instância intermediária na
relação entre governantes e governados e que possibilita o
desenvolvimento da sociedade como um todo.
Fique claro que a sociedade contemporânea não opera deste modo. Na
obra clássica de Habermas L'Espace Public-Archéologie de la Publicité comme Dimension Constitutive de la Société Bourgeoise, a sociedade é descrita em duas partes
diferenciadas: uma primeira em que o autor retrata a novíssima e
emergente esfera pública burguesa que sobressai do capitalismo liberal do
século XVIII e uma segunda parte em que ele traça o declínio
dessa mesma esfera, já no contexto do capitalismo industrial e do
bem-estar geral promovido pela democracia de massa. Quando se admite a
noção de opinião pública como processo, não se pode
limitar o conceito unicamente às bases empíricas de uma teoria,
deve-se também enfocar a posição de espaço público como
modo geral de interpretação da sociedade. Nesse seu livro
publicado em 1962, Habermas retoma o projecto
histórico-filosófico da modernidade atribuindo à opinião
pública a função de legitimar o sector político por meio de
um processo crítico de comunicação sustentado nos
princípios de um consenso racionalmente motivado . Por conseguinte, a universalização e a massificação
dos processos comunicativos inerentes ao modo capitalista de
produção despoletou a desagregação do espaço público
tal como era concebido até então.
A questão do espaço público está encadeada em diversas
investigações empíricas sobre a comunicação em
sociedades cujo suporte político radica no próprio modelo
democrático. É com a democracia de massa que o público perde a
sua exclusividade e a sua coerência sócio-discursiva é afastada
à medida que cidadãos menos instruídos entram em cena e formam
um todo heterogéneo. O Estado para suportar as crescentes
contradições do capitalismo, torna-se mais intervencionista e as
fronteiras entre público e privado, no sentido político,
económico e cultural, começam a dissipar-se.
Nesta nova ordem, o público torna-se fragmentado e vai perdendo a sua
coerência social. Ainda assim, a esfera política pública
constitui um espaço - discursivo, institucional, topográfico -
onde os indivíduos têm acesso àquilo que Dahlgren chama de
"diálogos societais'' , que
concorda com as questões de interesse público.
A generalidade dos estudos sobre o espaço público recorre a três
pistas principais: as reflexões acerca da mediatização e os seus
efeitos na vida pública, em especial, na vida política; a
esquematização das funções de agenda dos media (agenda setting) e que relaciona
a priorização de certos assuntos na cobertura mediática e o
interesse dos cidadãos nos mesmos; e finalmente, as análises à
recepção pública das informações veiculadas pelos media e a construção da mediatização temática.
Há várias abordagens possíveis nesta matéria atinente ao
espaço público. Uma das mais correntes é a que considera a
"esfera pública'' uma instância de livre expressão, em que o
espaço público é visto como um espaço privilegiado de
comunicação que produziria opiniões a partir de discussões
entre vários sujeitos que apelariam para argumentos racionais. Esta
concepção aproxima-se muito da concepção original de
Jürgen Habermas.
Nessa esfera pública, a opinião seria decorrente de um processo
cognitivo, complexo, completamente racional, uma vez que decorre da livre
discussão de argumentos cuidadosamente emitidos. Outra das abordagens
é a de "cena pública'' de apresentação e está
relacionada com acontecimentos, acções, representações que
são tornados públicos. Neste caso, os argumentos totalmente
racionais dos sujeitos envolvidos são residuais e valoriza-se a
publicitação desse acontecimento-notícia que ganhou
visibilidade pública. Nesta perspectiva, o espaço público
definido como um local abstracto onde aparecem cenas, acções,
problemas que supõem a presença de um público de espectadores,
é também o espaço em que esses espectadores são capazes de
emitir um juízo sobre esses acontecimentos tornados públicos. Neste
modelo de espaço público, não se trata de um juízo
necessariamente racional, mas sim de um juízo opinativo, de
apreciação que se aproxima mais da estética e do gosto de cada
um do que da racionalidade ou da inteligibilidade.
Jürgen Habermas foi mesmo quem desenvolveu com mais acuidade esta
questão do espaço público, sobretudo a ideia de espaço
discussão de problemas práticos e políticos, onde a capacidade
dos membros de uma sociedade persuadirem outros depende essencialmente da
racionalidade dos argumentos: o espaço público medeia o Estado e a
sociedade civil . O próprio Estado
constitucional burguês, que Habermas descreve, desencadeia "uma
organização do poder que garanta a sua subordinação aos
interesses de uma esfera privada'' , ganhando
consistência a partir da mediação do espaço público.
Naturalmente, há um conjunto de outros autores que aventaram
explicações para fundamentar a existência e a importância de
um espaço público, na qual se expressa a opinião geral.
Elisabeth Noelle-Neumann e a própria Hannah Arendt são outros
exemplos. A primeira elaborou uma tese em que define opinião pública
como a opinião que pode ser expressa em público sem perigo de ser
sancionada pelos demais cidadãos . Esta
lógica parece acreditar no mimetismo de participação, na
formação e fortalecimento de uma opinião pública
maioritária.
A ideia de espaço público como cena em que ganham visibilidade
acontecimentos vários, inspira-se nas teorias da filósofa Hannah
Arendt que salienta as actividades políticas produzidas na esfera
pública, reorientando o observador para esse facto. Essa
reorientação é que permite formar "juízos críticos''
por parte dos espectadores e assim formar as opiniões que
constituirão um "sentido comum'' e espaço comum de pertença.
Arendt propõe assim um modelo antagónico ao modelo de Habermas, na
medida em que propõe um modelo estético do espaço público,
ao invés do modelo cognitivo . Estes dois filósofos aludem a duas representações
normativas distintas do espaço público, mediante as quais avaliam a
cultura política da sociedade do seu tempo. Para
Arendt, a referência de análise é o ágora grego, local físico em
que se encontravam os cidadãos para debater os assuntos políticos
da cidade.
Neste caso, a racionalidade da argumentação seria então mais
instrumental do que propriamente inteligível, uma vez que apenas teria
como finalidade a obtenção da glória, do êxito a partir da
valorização de quem escuta ou assiste. Para Habermas, o modelo
referencial será o espaço público típico do iluminismo,
pautado pela ascensão da burguesia e pela crítica perene da
subjugação política em nome de moralismos e ideais de liberdade
e emancipação, a permanente procura da verdade através da
discussão pública sustentada, argumentada e a aceitação da
contra-argumentação pública como forma de validar o fundamento
desses raciocínios. A referenciada obra de Habermas é precisamente
uma reconstrução deste modelo iluminista e burguês a partir de
um estudo histórico. A partir desta premissa, o autor extrapola para a
sua sociedade de 1962 e estabelece um diagnóstico crítico da
cultura política desse tempo. Depois de 1981 e uma nova
publicação, Teoria do Agir Comunicacional , o filósofo muda o rumo das suas estruturações
sobre o espaço público e baseia a sua análise numa teoria
crítica sobre o funcionamento da comunicação e da
racionalização social.
Muitos autores apreciam o contributo de Habermas como incipiente, já que
a sua análise se limita ao espaço público como referência de
uma teoria social crítica .
Daí que, as teorizações de Arendt complementam esta visão.
A filósofa acredita que a formação da opinião requer o
juízo dos espectadores, mas deveria distanciar-se da
argumentação racional, na medida em que esse juízo está
adstrito a um fenómeno de persuasão e um nível de
aferição distante da verdade puramente cognitiva .
Actualmente a problemática do espaço público é ainda mais
pertinente devido à transformação das antigas sociedades de
massas em sociedades mediáticas. Os media são hoje uma parte
particularmente interessada na constituição desse mesmo espaço,
multiplicando as esferas de confrontação pública e alterando
recorrentemente os diversos espaços públicos plurais. A
emancipação dos media tem gerado nos últimos anos uma
repetição de espaços públicos diversos e autónomos o que
demite o próprio sistema político da sua organização e
coloca esse mesmo sistema à margem da legitimação que requer. A
existência de espaços plurais admite que sejam diferenciados,
facciosos, estruturados em redes de interesses específicos que não
necessariamente os políticos. Estas são as novas condições
da sociedade democrática e, por conseguinte, a exigência de maior
rigor na discussão pública e publicitada.
Um espaço simbólico será admitido como público, conforme
sublinha Jean-Marc Ferry, se as opiniões nele expressas se manifestem
através de uma emissão privada e sejam difundidas por meio de um media, destinado a um público mais vasto e heterogéneo .
Desde o aparecimento dos media electrónicos de comunicação que o
espaço público social já não se detém necessariamente
nas fronteiras do espaço geográfico de cada país. Aliás, o
acesso a um meio tecnológico como a Internet permite integrar um
espaço público destituído de fronteiras físicas e
destituir eventuais condicionalismos impostos a um espaço público
pertencente a um sítio geográfico definido. Conforme observa o
autor sobredito, ao espaço público do Iluminismo estudado e descrito
por Habermas, que se caracterizava pelo "reinado da crítica'', damos
lugar ao "reinado da opinião'' motivada e cadenciada pelas diversas formas media, encabeçadas pela sui generis televisão. "A televisão é clara e potencialmente parte da
esfera pública'' . Agora é o tempo do
espaço público plural, mas também do espaço cujas regras do
jogo são definidas pelas restrições impostas pelo
espectáculo mediático e menos pela ética e pelo direito. A
própria função de agenda (agenda setting ), que muitos
estudos desencadeou, é exemplo de um mecanismo concreto de
pré-selecção noticiosa, mas também de condicionamento do
espaço público e de formação da opinião
pública .
Nos países democráticos, os formuladores de opiniões
políticas continuam a dirigir-se à opinião pública
a fim de obter a aprovação final das acções prosseguidas e,
num nível mais profundo, a absolvição das apreensões, dos
erros estratégicos e da incerteza futura. Aliás
Schwartzenberg afirma que num "regime democrático, influenciar a
opinião pública é influenciar indirectamente o poder'' , embora a história tenha
mostrado que a opinião pública não costuma permitir a
fruição do poder, porque sustenta que esse gozo antecipa ou
denuncia um certo abuso.
Este facto evidencia a apropriação de padrões morais de conduta
e de referência por parte da opinião pública e são esses
comportamentos padronizados que se exige que sejam aplicados ao poder
político. Em certa medida, diríamos que a opinião pública
quer que o poder seja um fardo que só a ela compete aliviar,
até porque "a democracia não foi instituída para tornar
legítimas todas as pretensões do Poder ''; mas a estrutura complexa da organização
política, em que um cidadão individual se vê envolvido, muitas
vezes, de maneira incompreensível para ele, não permite a fácil
transferência de regras morais do plano dos seus interesses privados
para o das acções de maior porte e consequência. Nesta visão
centra-se "a dimensão ética da opinião pública'' e que
"é resultante do papel político que o espaço público
assumiu: o seu carácter moral qualifica a forma como é desempenhado
esse papel político'' .
De um modo geral, os políticos devem pesar as suas decisões e
averiguar se chocam ou não com os valores e referências da
opinião pública. Por exemplo, "estes dificilmente podem tomar
decisões hostis a um grupo que beneficia de forte corrente de
opinião favorável'' , precisamente porque seria difícil manter esse tipo de
actuação sem o apoio popular.
Na determinação da opinião que valida as acções
políticas, o erro persiste na ideia de fazer crer que a opinião
pública é apenas uma soma, uma atribuição numérica de
opiniões individuais ou colectivas que se amalgamam e formam uma massa
de opinião difusa, subjectiva e perfeitamente aleatória . Esta ideia é completamente
reducionista, pois limita o conceito de opinião pública à soma
das opiniões e atitudes de cada um . Quando
penetramos no conceito de opinião pública parece que damos lugar a
uma tendência que retira significado e imbui de vazio funções
básicas como pensar, discutir, formar um juízo baseado na
racionalidade. É que "desviar a atenção das massas dos
problemas políticos urgentes é o mesmo que apoiar politicamente os
que estão interessados em fechar os olhos do povo perante os problemas
que exigem solução'' .
Não há dúvida, que a forma de analisar a opinião pública
também tem vindo a adulterar-se com a própria evolução do
conceito e a complexificação da teia política e comunicacional,
mas continua válida a premissa de que a opinião pública
inteligente é condicionada pela apresentação e
justificação de temáticas diversas, entre as quais se destacam
essas de foro político. A função pública da
informação começa por significar e reconhecer que a pessoa e a
sociedade têm direito à informação e que "esse direito
invade a participação iniludível e absolutamente necessária
no processo informativo-comunicativo, com a capacidade para assentir ou
não, a possibilidade de expressar as próprias opiniões e adoptar
uma atitude selectiva, valorativa e positivamente crítica das
opiniões alheias'' .
Historicamente e sob perspectiva política, a opinião pública
é entendida como o conjunto de opiniões sobre assuntos de interesse
nacional, livre e publicamente expresso por homens que não participam no
governo e reivindicam com essas opiniões o direito de influenciarem ou
determinarem as acções ou a estrutura político-governativa.
Assim compreendida, a opinião pública é, antes de tudo, uma
comunicação entre os cidadãos e o seu governo.
Não faz sentido falar de opinião pública em regimes
autocráticos, simplesmente porque não existe. A existir seria uma
opinião abafada, clandestina, totalmente suprimida pela depurada
razão política de querer exibir uma falsa exterioridade e abertura.
Depois, só existe opinião pública se houver informação,
acesso aos mais diversos assuntos que porventura interessam aos
cidadãos. Isto significa, acima de tudo, que quanto mais progride a
democracia e quanto mais intensamente se aprecia e estuda a opinião
pública como salvaguarda da moral política (como se pensou na
tradição clássica) ou como expressão viva da liberdade de
pensamento e da construção mediática, tanto mais veementes se
tornam as exigências de transparência na informação
veiculada e critério racionalmente considerado nos conteúdos dos
principais meios de comunicação. "A existência de uma
opinião pública livre (...) é a marca da democracia'' ! É um lugar comum, mas também é a
constatação real da observação das sociedades
democráticas.
Se a opinião pública dos nossos dias é resultante, por um lado,
da crise do seu próprio modelo anterior, o modelo liberal; por outro
lado, ela é também um resultado das condições sociais
particulares que marcam o processo de desenvolvimento das nossas sociedades.
Nesse sentido, a democracia de massa - modelo político em torno do qual
se consolidou a vida das sociedades ocidentais ao longo de todo o século
transacto, a extraordinária intensificação e aceleração
dos fluxos de comunicação e de informação proporcionada em
larga medida pelos diversos dispositivos tecnológicos de
mediação simbólica - dá lugar à chamada sociedade de informação ,
na qual a própria opinião pública se notabiliza e ganha
força. Aliás, uma das ideias na qual se cimenta a própria
construção democrática é a satisfação das
necessidades dos cidadãos, através da captação da vontade da
opinião pública . No entanto, essa vontade depende largamente
da informação recebida, logo dos media, da própria
comunicação política que lhe fornece elementos de avaliação da conjuntura vigente.
Nesta linha de raciocínio, Doris Graber advoga que "a
definição da democracia implica que o público tenha uma voz e
impacto no governo'' , daí a necessidade de boa formação da opinião
pública.
Se a opinião pública foi primordialmente considerada como
comunicação pública dos cidadãos ao governo, pode ser quase
entendida como aconselhamento público, ditador de directrizes definidas
pela vontade popular.
A ausência de uma história da opinião pública, que
combinasse pormenores descritivos com clareza analítica, torna
duplamente necessário que se considerem os marcos significativos em que
os demais governos deixaram de censurar a expressão pública da
dissensão política. 1695 em Inglaterra e 1789 em França marcam
esse ponto de viragem para a afirmação da livre expressão de
pensamento como um valioso direito do homem.
É na confluência destes vários factores - do passado e do
presente - que a opinião pública contemporânea mantém o
estatuto de referência fundamental da vida política, mas
apresentando, de modo concomitante, sinais de crise bem visíveis e cada
vez mais fortes. Reitera-se então a seguinte questão: a opinião
pública tem poder?
É certo que a opinião pública pode fornecer indicadores claros
do envolvimento ou alheamento da comunidade civil em questões de
relevância nacional ou internacional. Na perspectiva meramente
instrumental, a opinião pública tem um poder decisório em
matérias referendáveis ou eleitoralistas. No entanto, o seu peso
é mais evidente na mediatização da política propriamente
dita. Sendo invocada com grande persistência para fins muito diversos e
com os propósitos mais dispares, a opinião pública continua a
apresentar-se, cada vez mais, como um valor simbólico de uso corrente e
de circulação ilimitada no universo da vida política. Talvez
por isso, "ao lado do sistema político, formou-se um sistema
parapolítico que pressiona o primeiro em nome da opinião. Apesar de
obedecerem a lógicas distintas, as instituições do Estado
democrático adaptam-se ao modo como os media se encontram organizados, quer
na linguagem quer na lógica'' . Por
exemplo, a imagem geral de uma situação de crise apresenta-se pela
divisão, anomia, heterogeneidade e irracionalidade do espaço
público democrático tal como ele existe actualmente .
Evidentemente que a opinião pública e a massificação das
sociedades são processos que se entrelaçam e ganham coerência
num contexto comum, daí que a opinião pública hoje é
essencialmente uma opinião de massa: constituída já não
verdadeiramente por públicos, como sucedia em épocas anteriores
(especialmente no século XIX), mas sim por esta nova sociabilidade a que
damos o nome de massa, nas suas formas de agregação social com base
em relações frágeis, superficiais e tendencialmente
burocratizadas.
A opinião pública, francamente dominada pela massa, fortalece-se no
sistema também ele animado pelo poder conferido aos cidadãos. A
interligação entre os cidadãos, as políticas públicas e
o próprio governo decorrente de uma democracia maioritária,
sedimenta-se na opinião pública e no papel que esta assume na
sociedade contemporânea (agora distanciada dos problemas do século
que a viu crescer). "A opinião pública todavia só influirá
no governo de um País quando possa eficazmente exprimir-se, seja
através do sufrágio eleitoral ou de referendum, seja mediante o aparecimento
de líderes que saibam captá-la e traduzi-la'' . Aí
sim, a democracia tem lugar e a opinião pública exprime-se com
legitimidade.
O problema da opinião pública prende-se, naturalmente, com o
exercício da cidadania, da participação política e, como
vimos, da vida democrática. Aliás, o conceito de cidadania
vulgarizou-se precisamente por estar adstrito aos direitos e deveres dos
cidadãos e às condições do seu exercício e da sua
efectivação em sociedades democráticas. "É frequente a
negação da utilidade do conceito de opinião pública, mas
dificilmente se poderá recusar que esta corresponde a um fenómeno
típico dos Estados contemporâneos e que encerra em si mesma a
legitimidade de base representativa e democrática'' .
As diferenças que se apresentam na clivagem público/massa, ao
nível da acção referem-se sobretudo às possibilidades de
resposta dentro do sistema político. "Uma concepção de
democracia pretende que uma sociedade democrática seja aquela em que as
pessoas dispõem de meios que lhes permitem participar de maneira
significativa na condução dos seus próprios assuntos e em que os
meios de comunicação social, os media, sejam abertos e livres'' . Decorrente desta premissa, ao nível da
opinião pública, também se reconhece a possibilidade
participação das massas nos assuntos públicos, embora essa
intervenção se situe no âmbito da "participação
passiva'' , traduzida por um comportamento que revela interesse pela
política, informação sobre as políticas públicas, mas
reserva-se quanto à possibilidade de utilizar os diversos mecanismos de
participação. "Ao comportamento político activo orientado para
a mudança e transformação das decisões políticas,
acresce o comportamento passivo: um tipo de "síndroma de espectador''
vulgarmente associado ao mero "consumo da política'' e à
exposição passiva a formas materiais de
participação'' .
A cidadania e a participação esvaziam-se "sem uma pluralidade de
expressões, sentimentos e opiniões, sem diversidade de propostas,
sem possibilidade efectiva de escolha e de iniciativa. A ética da
responsabilidade supõe, efectivamente, não apenas a possibilidade da
opção entre diversas possibilidades, mas igualmente a existência
de condições para o exercício dessa opção'' . A massa condicionada por uma lógica
sistémica e por processos formais rígidos que transformam cada
indivíduo membro dessa massa, tornam-no também um mero recurso de
mercado, onde o número dos que emitem opiniões que contam se
restringe drasticamente, na proporção inversa àqueles que a
partir de agora se posicionam com opiniões que se integram num todo.
Ninguém ignora, o papel crucial que os media tiveram nesta mudança: eles
são, simultaneamente, os seus directos beneficiários e os
dinamizadores mais entusiastas. Serão eles os formadores preferenciais
da opinião pública, ao mesmo tempo que beneficiam dela? Tudo o que
constitui a história de sucesso dos media ao longo do século transacto, a
sua importância política, o seu poder económico e o seu
esplendor tecnológico. Quase anteciparíamos uma conclusão
lógica que se orienta para uma opinião pública cada vez mais
mediática, isto é, a opinião de uma massa que é
funcionalmente processada e emotivamente excitada por dispositivos
tecnológicos de mediação, a que damos a designação comum
de media. Neste caso, insistimos na questão, mas com um `sustentáculo':
quem tem o poder - media ou opinião pública?
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![[*]](../_img/footnote.gif)
- Idem, Ib, p.
61.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Monique Augras considera
que é mais correcto falar-se em formação de correntes de opinião, uma vez que as
correntes de opinião são dotadas de dinamismo, enquanto que a
opinião pública engloba uma opinião estática (que corresponde a uma
disposição ou sentimento latente em relação a determinado
assunto) e uma opinião dinâmica (que corresponde ao aparecimento progressivo ou repentino de
uma tomada de posição perante um problema).. A opinião
pública manifesta ora o fenómeno latente, ora o manifesto, pelo que
um "acontecimento pode cristalizar uma opinião latente, provocando o
aparecimento de uma corrente de opinião''. - Cfr. Monique Augras, Opinião Pública - Teoria e pesquisa, Editora Vozes, Petrópolis, 1980, pp. 16/17. Já Alfred Sauvy
simplifica esta concepção ao considerar apenas a distinção
entre opinião permanente e correntes de opinião. Este autor entende a opinião permanente ou durável as
atitudes clássicas, mesmo aquelas opiniões que não assumem a
forma de dogmas, ou seja, "as que não apresentam grande interesse''.
Inversamente, as correntes de opinião criam-se mais frequentemente no
seguimento de factos novos. Cfr. Alfred Sauvy, Op. Cit., p. 9.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Hannah Arendt, Qu'est-ce que la politique ?, Édition du
Seuil, Collection L'Ordre Philosophique, Paris, 1995, p. 89.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Alfred Sauvy, Op. Cit., p. 5.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Hans Speier, O Desenvolvimento Histórico da Opinião Pública, in AA.VV., Charles Steinberg (org.), Op. Cit., p. 133.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Benjamin I. Page & Robert Y. Shapiro, The Rational Public - Fifty Years of Trends in Amercians' Policy Preferences, The University of Chicago Press,
American Politics and Political Economy Series, Chicago and London, 1992, p.
341.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Noam Chomsky e Edward S. Herman, La Fabrique de L'Opinion Publique - Politique Économique des Médias Américains, Le Serpent à Plumes, Paris, 2003, p. XII.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Luiz C. Martino, Interdisciplinaridade e objecto de estudo da comunicação., in
AA.VV., António Hohlfeldt, Luiz C. Martino e Vera Veiga França, Teorias da Comunicação - Conceitos, Escolas e Tendências, Editora Vozes, Petrópolis, 2001, p. 32.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Hans Speier, O Desenvolvimento Histórico da Opinião Pública, in AA.VV., Charles Steinberg (org.), Op,. Cit., p..
128.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Hannah Arendt descreveu o espaço público grego
- ágora - e definiu o público de acordo com a sua visão do pensamento
político aristotélico. Desse modo, entendeu esse lugar de
expressão pública e debate sobre assuntos governativos sob uma
perspectiva política, pois ao público, corresponderia o reino livre
em que se decidiriam as questões mais relevantes da vida colectiva dos
cidadãos. O espaço público revisto e reinterpretado por Arendt
é necessariamente um espaço de liberdade diferente do espaço
privado em que prevalece "a lei da dominação e da violência''
do senhor da casa sob os restantes familiares e subalternos. Cfr. Hannah
Arendt, The Human Condition, The University of Chicago Press, Chicago & London, 1998, pp. 22
e segts.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Quando Atenas
começou a enfrentar problemas decorrentes dos acordos diplomáticos
firmados com Esparta e que resultaram nas Guerras do Peloponeso e a
dissolução dos tratados, que redundariam no próprio
desaparecimento da sociedade grega, os filósofos pré-socráticos,
pela sua posição extraordinariamente crítica e considerada
perniciosa, passaram a ser mal vistos pela sua própria sociedade que os
apelidou de sofistas, ou seja, acrobatas intelectuais, que através de
jogos retóricos e malabarismos de palavras, conquistavam os homens,
seduzindo-os pela mente. O comediógrafo Eurípedes, tido como o
maior dos sofistas e que confrontou Sócrates com as suas ideias, foi o
autor de uma prática filosófica ainda hoje extremamente salutar, a maiêutica, através da qual o aprendizado se faz através do diálogo, com
perguntas e respostas, desenvolvidas por um mestre, levando os
discípulos ao apredizado pretendido. No entanto, corresponde a uma
imagem então generalizada, que redundou, inclusive, na
condenação de Sócrates e ao seu suicídio forçado.
Encontramos pois, há mais de dois mil anos, nos sofistas o
exercício e uso da palavra. Foram eles que primeiramente exerceram a
comunicação como prática de poder e que ensinaram a
importância e a arte do discurso. Os filósofos, por sua vez,
reivindicavam a discussão organizada de homens racionais; Platão
realça a importância do discurso que busca a verdade acima de
qualquer outro valor, distinguindo-o da retórica pura dos sofistas;
Aristóteles conceitua a retórica como a busca de todos os meios
possíveis de persuasão, classificando e organizando as suas
técnicas e os seus possíveis efeitos. Cfr. Jean Carpentier e
François Lebrun, História da Europa, Referência/ Editorial Estampa, Lisboa, 2002, p.
72 e 74 e Arnold Toynbee, Helenismo, Rio de Janeiro,
Zahar, 1963.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr. Monique Augras, op. cit, p. 12.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Monique Augras considera que é também
na Idade Média que se forma uma opinião crítica que corresponde à oposição
às ideias geralmente admitidas e que encaixam na concepção da
autora de opinião pública. Considera ainda o Renascimento um marco
do direito e diversidade de opiniões e a Reforma a vitória da
opinião crítica. Veja-se Monique Augras, op. cit, pp. 13/14.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- João Pissarra Esteves, A Ética da Comunicação e os Media Modernos - Legitimidade e Poder nas Sociedades Complexas, Fundação
Calouste Gulbenkian, Junta Nacional de Investigação Científica
e Tecnológica, Textos Universitários de Ciências Sociais e
Humanas, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1998, p. 195.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr. AA.VV, Massimo Salvadori (Coord.), História Universal - O Século das Luzes, Planeta De AgostiniVolume 10, Espanha, 2005, pp. 240 e segs.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- António Hohlfeldt, As Origens Antigas: a comunicação e as civilizações, in
AA.VV., António Hohlfeldt, Luiz C. Martino e Vera Veiga França, Op. Cit., p.
93.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Jean
Stoetzel e Alain Girard, Les sondages d'opinion publique, Presses Universitaires de France (PUF), Le
Psychologue, Paris, 1979, p. 21.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Alexis de Tocqueville estudou a
sociedade americana e os pilares da democracia, além das mudanças
ocorridas em França. Tocqueville teve uma ampla visão acerca da
influência que exercem as ideias e os sentimentos democráticos sobre
a sociedade política. Analisando a queda do Antigo Regime, ele aponta
como facto determinante na decadência da aristocracia a
centralização gerada por ela, que ocasionou uma corrupção do
espírito público, o isolamento dos indivíduos, que já
não tinham quaisquer ligações com grupos ou tradições
morais. Na sua perspectiva, a consequência inevitável, era a
ascensão do despotismo (democrático). Para combater estes males
provenientes da igualdade preconizada pela política liberal,
Tocqueville estabelece uma contraposição estes malefícios com a
liberdade de imprensa, as liberdades locais ou mesmo as liberdades
associativas. Para o autor, a sociedade democrática vive da
tensão entre igualdade e liberdade. Essas observações de
Tocqueville acerca da Europa moderna, estão fortemente influenciadas
pela sociedade americana que ele admirava e onde ele enaltece a
reconstrução do tecido social e a solidez da democracia vertebrada
pela multiplicidade de grupos, partidos políticos, comités... Cfr.
Alexis de Tocqueville, A Democracia na América, Estúdios Cor, Colecção Ideias e Formas,
Lisboa, 1972, p. 260.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Idem, Ib.. pp. 260/261.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- João Pissarra Esteves, Op. Cit., p. 208.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- "O público é uma
categoria política que surge, no século XVII, no quadro da
reivindicação da autonomia dos cidadãos esclarecidos, face à
vontade despótica do soberano. É desta acepção
originária que o conceito de público herda o sentido
revolucionário que irá dar lugar à queda do Antigo Regime, na
sequência da Revolução Francesa, e à consequente
instauração do Estado Moderno. O Estado passa então a ser
entendido como o exercício do poder democrático, fundado na livre
expressão da vontade soberana dos cidadãos informados, mobilizados
por consensos obtidos a partir da livre discussão e do confronto das
opiniões. É desta concepção do público que decorre a
formação do imaginário do serviço público, entendido
como o exercício de uma actividade, ao mesmo tempo, de esclarecimento
do público acerca das questões do seu interesse e de repercussão
pública dos argumentos e dos consensos obtidos através do
exercício da livre discussão. Podemos considerar estas duas
actividades como o exercício das duas funções pedagógica e
representativa do serviço público (...). Esta noção
originária de público viria a sofrer uma viragem significativa, a
partir do final do século XIX, na sequência do processo de
industrialização e da questão social. O público deixou
então de ser entendido como espaço livre de debate entre pessoas
esclarecidas, para se tornar espaço de confronto de interesses
antagónicos, em função do lugar ocupado no processo produtivo.
Desta viragem decorreu a cisão do conceito de serviço público
nos dois sentidos opostos que chegaram até aos nossos dias: o sentido
liberal e o sentido colectivista''. Cfr. Adriano Duarte Rodrigues, Modelos de Serviço Público, in
jornal Expresso, edição de 15 de Junho de 2002.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr. Gustave Le Bon, Psicologia das Multidões, Edições
Roger Delraux, Colecção "Pensadores'' dirigida por Gérard
Leroux, 1980, pp. 26 e segs.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Vincent Price, Public Opinion, Sage Publications, Communication Concepts, Newbury Park,
London, New Delhi, 1992, pp. 29/30.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Georges Burdeau, A Democracia - Ensaio Sintético, Publicações Europa-América, Colecção
Saber, Mem
Martins, 1975, p. 59.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Gabriel Tarde, Op. Cit., pp. 23/25.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Armand Mattelart, A Invenção da Comunicação, Instituto Piaget,
Colecção Epistemologia e Sociedade, Lisboa, 1996, p. 312.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Marcello Caetano, Manual de Ciência Política e Direito Constitucional, Almedina, Tomo I, Coimbra, 1996, p.
378.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Jean Stoetzel
e Alain Girard, Op. Cit., p. 29.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr. Noam
Chomsky, A Manipulaçaão dos Media - Os Efeitos Extraordinários da Propaganda, Editorial Inquérito, Colecção Perspectiva, Mem
Martins, 2003, pp. 33/37.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Benjamin
I. Page & Robert Y. Shapiro explicam que a formação da
opinião é bastante inconstante e que depende muito de factores
conjunturais. Ao analisarem o efeito do contexto na sedimentação de
opiniões, os autores perceberam que, no caso americano, os cidadãos
mostravam-se favoráveis a um nível relativamente baixo de gastos
militares, por exemplo, se se encontravam sem ameaças de guerra e com
outras necessidades prioritárias, mas uma mudança nesse contexto
sugerido poderia alterar o sentido desta opinião. Cfr. Benjamin I. Page
& Robert Y. Shapiro, The Rational Public - Fifty Years of Trends in Amercians' Policy Preferences, The University of Chicago Press, American Politics
and Political Economy Series, Chicago and London, 1992, p. 30.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Hannah Arendt, Qu'est-ce que la politique ?, Édition du Seuil, Collection
L'Ordre Philosophique, Paris, 1995, p. 89.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Ronald
A. Kuntz, Marketing Político: Manual de Campanha Eleitoral, São Paulo, Global Editora, 2002, p. 119.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr. Benjamin I. Page & Robert Y. Shapiro, The Rational Public - Fifty Years of Trends in Amercians' Policy Preferences, Op. Cit., pp.
31/32..
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Dewey acreditava que os
métodos utilizados pelas comunicações públicas não eram
os mais ajustados às necessidades democráticas. Sugeriu, por isso,
que se organizasse uma comunidade científica no ramo das ciências
sociais que disseminasse interpretações da realidade de forma
pública, apresentando-as preferencialmente na imprensa popular. "A
necessidade essencial (...) é o fomento de métodos e
condições que promovam o debate, a discussão e a persuasão.
Este é o problema do público''. Cfr.J. Dewey, The Public and its problems, Rinehart &
Winston, New York, 1927, p. 208.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Hannah Arendt, The Human Condition, Op. Cit, pp. 52/53.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Hannah Arendt estabelece
critérios que antagonizam o reino público e o privado, nos quais
oferece uma visão elaborada do homem enquanto parte do todo social, mas
mantendo as suas contradições próprias de ser individual. Nesse
sentido, a autora reconhece a emergência do social e reconhece a esfera
pública como a "fronteira'' que se interpõe na relação
privada e política e que permite reconhecer o seu significado na vida
do indivíduo (esfera privada) e do cidadão (esfera política).
Cfr. Idem, Ib, pp. 22/58.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Peter Dahlgren, Television and the public sphere - citizenship, democracy and the media, Sage
Publications, London, Thousand Oaks, New Delhi, 1997., p. 7.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Philippe Breton e Serge Prouxl, A Explosão da Comunicação,
Lisboa, Editora Bizâncio, 1997, p. 235.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Para
Habermas o espaço público traduzia o "domínio da nossa vida
social onde pode formar-se algo como uma esfera pública'' e,
naturalmente, a sua dimensão institucional deve ser considerada em
sentido lato, uma vez que considera as diversas formas de mediação
entre os particulares e o Estado. Cfr.Jürgen Habermas, L'Espace Public. Archéologie de la Publicité comme Dimension Constitutive de la Société Bourgeoise, Payot, Paris,
1978.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr. Peter Dahlgren, Op. Cit., p. 9.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Jürgen Habermas caracferizou o espaço
público como um local de mediação entre o Estado e sociedade
civil, no qual era permitida a livre discussão pública no
reconhecimento das capacidades do espírito, na riqueza atribuida ao
diálogo, no debate de ideias e também no esclarecimento do Ser.
Cfr.Jürgen Habermas, L'Espace Public. Archéologie de la Publicité comme Dimension Constitutive de la Société Bourgeoise, Op. Cit.. pp. 70 e segts.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Idem, Ib, p. 94.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr. Elisabeth
Nöelle-Neumman, The Spiral of Silence: Public Opinion - Our Social Skin, The University of Chicago Press, Chicago, 1981.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr. Hannah Arendt, La Crise de la Culture, Gallimard,
Paris, 1972.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- De um modo geral entende-se por cultura
política o conjunto de aspectos políticos da cultura, considerando
que eles próprios formam um conjunto sistematizado. No entanto, Maurice
Duverger entende a cultura política como a relação entre a
cultura da sociedade global e as subculturas dos grupos que integra
associada às características técnicas originais do domínio
particular do campo político. Cfr. Maurice Duverger, Sociologia da Política - Elementos de Ciência Política, Coimbra,
Livraria Almedina, 1983, pp. 104/109.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr. Jürgen Harbermas, Théorie de L'Agir Communicationnel, Fayard, 2. vols.,
Paris, 1987.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr. Peter Dahgren, Op. Cit., p. 9.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr.
Hannah Arendt, La Crise de la Culture, Op. Cit..
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr.
Jean-Marc Ferry, Les transformations de la publicité politique, Hermès, nº 4, Paris, 1989, pp. 19 e segs.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr. Jean-Marc Ferry, Op. Cit., pp. 20
e segs.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Nicholas Abercombrie, Television and Society, Polity Press,
Cambridge, Oxford, Malden, 1999, p. 207.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- A teoria da agenda setting teve a sua
origem nos estudos realizados por Maxwell E. McCombs e Donald Shaw durante a
campanha eleitoral de 1968 na Carolina do Norte. A função das
agendas temáticas relaciona os tratamentos efectuados pelos media e as
prioridades que eventualmente estão subjacentes a uma determinada
audiência, depois de serem `impactadas' pelos media. Ao consagrarem certos
temas nas suas emissões ou difusões, os media influenciam e determinam o
grau de atenção do público, exercendo o seu poder. Cfr. Maxwell
E. McCombs e Donald D. Shaw, The Agenda Setting Function of Mass Media, in Public Opinion Quaterly 36, Verão 1972, pp. 176/187.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Na generalidade das investigações, os
estudiosos começam por acreditar, pela sua experiência profissional,
que os media causam um impacto real e importante na sociedade e, por conseguinte,
na opinião pública, mas concluídas as pesquisas os resultados
práticos demonstram efeitos pouco significativos ou mesmo limitados. A
correlação entre certas questões sociais (issues) tratadas pelos media e o grau/ordem de importância atribuída pelo público-receptor
dessas mensagens mediáticas, foi um dos grandes estudos que fez
catapultar a ideia de que os media estabeleciam uma agenda temática e com
isso influenciavam a opinião pública. Em rigor existem três
tipos de agenda envolvidos neste relacionamento entre media e opinião
pública: a agenda dos media (agenda setting), a agenda das políticas públicas que
é a dos actores políticos (policy agenda-building) e a agenda dos interesses dos
cidadãos ou da opinião pública (public agenda-setting). Todas elas têm
interacções recíprocas e constituem aquilo que mais
genericamente é entendido como agenda mediática. Cfr. Denis McQuail
e Sven Windahl, Modelos de Comunicação - Para o Estudo da Comunicação de Massas, Editorial Notícias, Colecção Media
& Sociedade, Lisboa, 2003, pp. 93/97.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Roger-Gérard Schwatzenberg, Sociologia Política - Elementos de Sociologia Política, São
Paulo, Rio de Janeiro, Difel
Difusão Editorial, 1979, p. 67.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- "Na sua
concepção primitiva, ela não era um fim, mas um meio. Um meio
cujo fim era limitar o poder dos governantes. Este limite reside no respeito
das forças autónomas da vida social''. Deste modo, Georges Burdeau
admite indirectamente a existência e a força da opinião
pública como legitimadora das acções políticas, pois
"é de admitir que a sociedade preexiste no Estado''. Georges Burdeau, A Democracia - Ensaio sintético, Op. Cit., p. 55.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- João Pissarra Esteves, Op. Cit., p. 198.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Roger-Gérard Schwatzenberg, Sociologia Política - Elementos de Ciência Política, op. cit, p. 667.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr. Ignacio Bel Mallen, Opinion Publica e Gobierno Local, in AA.VV., Comunicação,
informação e opinião pública - Estudos de Homenagem a Andrés Romero Rubio, Universidade Católica
Editora, Lisboa, 2001, p. 241.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- A `colagem' da opinião
pública com uma massa cuja força resulta apenas da presença
física de indivíduos e no número que pode traduzir um certo
volume, é completamente contrariada pela análise de Hannah Arendt. A
autora acredita que a massa, longe de ser uma soma que esgota as suas
energias na quantidade, pode ser uma energia de recurso infindável,
desde que correctamente dirigida. A massa a que Arendt faz alusão é
um massa composta por cidadãos apolíticos e desinteressados e que
por essa razão se tornam mais fáceis de dirigir. É nesse sentido
que relaciona o poder das massas com o modelo político totalitário
e reflecte que "os movimentos totalitários são possíveis em
toda a parte onde se encontrem as massas que, por uma razão ou por
outra, descobrem a apetência pela organização política. As
massas não são unidas pela consciência de um interesse comum e
não fazem parte de uma lógica específica de classes que se
revelam pela prossecução de objectivos precisos (...).. O termo
"massa'' aplica-se somente às pessoas (...)''. Cfr. Hannah Arendt, Le Sistème Totalitaire - Les Origines du Totaliarisme,
Editions du Seuil, 1972, pp. 31/32. Sob este mesmo assunto e a
relação entre as massas e o totalitarismo ler pp. 27/50.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Vladimir Hudec, O que é o Jornalismo?, Editorial Caminho,
Lisboa, 1980, p. 65.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Elena Real Rodriguez, Reflexiones en Torno a la Relación Periodistas-Públicos: Sujetos de Derechos, Deberes y Responsabilidades, in AA.VV.,
Comunicação, Informação e Opinião Pública..., op. cit. p. 152.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Alfred Sauvy, Op. Cit., p. 10.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Na
sociedade de informação, referimo-nos a um tipo de sociedade em que
há uma crescente dependência dos indivíduos e
instituições relativamente à informação e à
comunicação, de forma a serem capazes de funcionar de uma forma
efectiva em quase todas as esferas de actividades. A sociedade da
informação caracteriza-se pelo predomínio do trabalho com
informação, pelo grande volume do fluxo de informação, pela
interactividade de relações, pela integração e
convergência de actividade, pelas tendências globalizadoras e
cultura pós-moderna. Cfr. Dennis McQuail, Mass Communication Theory - An Introduction, Sage Publications
Publication, London, 1994, p. 91. Também o Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal refere que a sociedade de
informação é "o modo de desenvolvimento social e económico
em que a aquisição, armazenamento, processamento,
valorização, transmissão, distribuição e
disseminação de informação conducente à criação
de conhecimento e à satisfação das necessidades dos cidadãos
e das empresas, desempenham um papel central na actividade económica, na
criação de riqueza, na definição da qualidade de vida dos
cidadãos e das suas práticas culturais''. Cfr. Missão para a
Sociedade da Informação do Ministério da Ciência e da
Tecnologia, Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal, Ministério da Ciência e da Tecnologia, 1997, p. 7.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr.Benjamin I. Page, Who deliberates ? - Mass media in Modern Democracy, The University of
Chicago Press, 1996, pp. 5-13.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Sabendo que a
comunicação é necessária para o funcionamento do sistema
político, muitos autores se dedicam ao estudo as implicações da
comunicação no espectro político e às especificidades da
comunicação política propriamente dita. Roger-Gérard
Schwartzenberg observa que "a comunicação política é o processus de transmissão pelo qual a informação política circula de
um lado para o outro do sistema político, e entre este e o sistema
social. É um processo contínuo de troca de informação entre
os indivíduos e os grupos em todos os níveis''. Cfr.
Roger-Gérard Scharwtzenberg, Sociologia Política - Elementos de Ciência Política, Op. Cit., p. 176. Na mesma linha de
raciocínio, Jean-Marie Cotteret defende que "a comunicação
política assegura a adequação entre os governantes e os
governados através da permanente troca de informação''. Cfr.
Jean-Marie Cotteret, Gouvernants et Gouvernés, Vendôme, Presses Universitaires de France, 1973,
p. 9.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Doris Graber, News and Democracy - are their paths diverging?, Bloomington, Indiana, 1992, p
27.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- José Maria Rodrigues da
Silva, Democracia ou Telecracia? Uma Nova Ideologia,
Publicações S.A, Chaves Ferreira, Lisboa, 1999, p. 71.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Cfr.
Jean-Marc Ferry, Op. Cit., p.20.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Marcello
Caetano vai mais longe ao considerar que a opinião pública tem
possibilidades de "desempenhar na vida do Estado uma função motora,
uma função refreadora ou uma função sancionadora''.
Argumenta que exerce uma função motora sempre reclama iniciativas ou
exige reformas; exerce a função refreadora quando fiscaliza a vida
pública e assume um papel sancionador quando aprova ou condena atitudes,
decisões e personalidades. Cfr. Marcello Caetano, Op. Cit., p. 383.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Nilza
Mouzinho de Sena, A Interpretação Política do Debate Televisivo 1974/1999,
Universidade Técnica de Lisboa, Instituto
Superior de Ciências Sociais e Políticas, Lisboa, 2002., p. 218.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Noam Chomsky, Op. Cit., p. 10.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Manuel Meirinho Martins tipifica a intervenção
dos cidadãos na vida política segundo um envolvimento activo e
passivo, sendo o envolvimento máximo entendido como "um modo de viver
específico assente na participação plena dos cidadãos na
vida pública, visando a realização do ideal democrático do
auto-governo e a correspondente superação da cisão entre
governantes e governados'' e a participação passiva próxima das
acções que "não pretendem influenciar directamente as
decisões políticas, ainda que possam assumir um carácter
instrumental tendo em vista aquele objectivo''. Sobre o problema da
participação política e o grau de envolvimento dos cidadãos
veja-se Manuel Meirinho Martins, Participação Política e Democracia - O Caso Português (1976-2000), Instituto Superior de Ciências Sociais
e Políticas (Universidade Técnica de Lisboa), Lisboa, 2004, pp.
42/50.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Idem, Ib, p. 47.
![[*]](../_img/footnote.gif)
- Manuel Pinto, Pensar e Projectar o Serviço Público com a Participação do Público, in
Manuel Pinto, (Coord.), Televisão e Cidadania - Contributos para o Debate sobre o Serviço Público, Instituto de Ciências
Sociais da Universidade do Minho, Núcleo de Estudos de
Comunicação e Sociedade, Colecção Comunicação e
Sociedade, Braga, 2003, p. 40.
-
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